ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS
O Ministério Público do Ceará realizou uma operação que resultou na prisão de 11 advogados suspeitos de transmitir mensagens entre líderes de grupos criminosos presos e os membros desses grupos que estão em liberdade.
De acordo com as investigações, esses advogados agiam como intermediários, repassando ordens que ajudavam a manter as atividades das facções criminosas. Uma advogada que reside em São Paulo está foragida.
Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE) foi procurada para comentar a operação e possíveis medidas disciplinares, mas não respondeu até a publicação desta notícia.
O Ministério Público informou que alguns advogados ultrapassavam os limites da profissão, funcionando como mensageiros durante visitas a presos na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará. As mensagens continham ordens e instruções para familiares, outros presos e membros das facções em liberdade.
As mensagens tratavam da reorganização das facções, expansão de territórios, recrutamento de novos membros, formação de alianças criminosas, compra de armas, tráfico de drogas e outras ações para continuar as atividades ilícitas apesar da prisão dos principais líderes.
A investigação começou após o Tribunal de Justiça autorizar, em novembro de 2025, a gravação de áudio e vídeo durante as visitas na penitenciária de segurança máxima. As gravações feitas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro deste ano mostraram um padrão constante de conversas entre presos e advogados usando linguagem codificada para tratar de assuntos ilegais.
Os investigadores concluíram que mesmo presos e respondendo por crimes, os líderes continuavam dando ordens às facções.
A Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará explicou que a gravação nas visitas é feita em parceria com o Ministério Público, com autorização judicial, e que a operação é fruto desse trabalho conjunto.
Chamado de Mensageiros do Crime, o cumprimento de 29 mandados de prisão e 29 de busca ocorreu em Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Itaitinga, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante e São Paulo.
Entre os presos estão 17 líderes de facções criminosas, sendo 15 já detidos na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará e 2 capturados em liberdade. Também foi solicitado o bloqueio de R$ 20 milhões nas contas dos investigados.
Durante a ação, uma Range Rover blindada foi apreendida junto com celulares, notebooks e joias.
Segundo o Ministério Público, os advogados não agiam sozinhos. A investigação revela que eles tinham relações entre si, mencionavam uns aos outros nas conversas monitoradas e visitavam os mesmos presos com frequência.
O volume de atendimentos por alguns desses advogados era maior do que o normal, o que reforça a suspeita de uma rede organizada para transmitir as mensagens.
