O dólar teve uma alta significativa no mercado brasileiro no início de julho, fechando acima de R$ 5,20. Apesar de declarações mais suaves do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, durante um evento em Portugal, a moeda americana se valorizou globalmente. O real teve o pior desempenho entre as moedas mais negociadas devido às sanções dos EUA contra brasileiros e empresas ligadas ao PCC, classificado como organização terrorista pelos americanos.
Pesquisas como a Atlas/Bloomberg mostraram a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que levou o mercado a diminuir a expectativa de ajustes fiscais futuros. O dólar atingiu um pico de R$ 5,2167 e fechou em R$ 5,2103, com alta de 0,92%, maior fechamento desde março. No ano, o real acumula perdas superiores a 5%.
O economista-chefe da CVPAR, Marcelo Fonseca, comentou que as sanções geraram um certo impacto, mas o real já vinha apresentando fraqueza devido à deterioração da política fiscal e a mudança nas expectativas eleitorais, que indicam menor possibilidade de reformas.
O índice DXY, que mede o dólar frente a outras moedas fortes, subiu cerca de 0,20%, principalmente pelo enfraquecimento do euro. Nos EUA, dados recentes mostraram uma criação de empregos maior que o esperado no setor privado, aumentando a expectativa para o relatório oficial de emprego, que pode influenciar decisões do Fed sobre juros.
Kevin Warsh afirmou que o Fed vai adotar uma postura cautelosa, especialmente com a inflação mostrando sinais de desaceleração e o impacto da inteligência artificial na economia.
O Goldman Sachs ressaltou que estratégias de investimento que aproveitam diferenças nas taxas podem continuar trazendo retornos positivos desde que o ambiente global permaneça favorável, e destaca que o peso mexicano é atraente, enquanto o real enfrenta desafios pela instabilidade política e comunicação do Banco Central.
Mercado acionário
O Ibovespa oscilou durante o dia, fechando com leve queda de 0,20%, aos 171.688 pontos. A volatilidade foi influenciada pela falta de gatilhos internos e pela atenção aos dados de emprego dos EUA, que podem impactar a política monetária brasileira. Pesquisas internas mostram o presidente Lula em vantagem, o que preocupa pelo impacto fiscal.
Setorialmente, os bancos tiveram desempenho misto, com destaque para a alta do Itaú e queda do Banco do Brasil. Petrobras e Vale tiveram variações pequenas nos preços, refletindo o cenário global e doméstico.
Juros
Os juros futuros tiveram alta na segunda metade do pregão após publicações que indicaram possíveis novas denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro, o que aumentou a cautela no mercado. As sanções dos EUA e as pesquisas eleitorais também exerceram pressão sobre a curva de juros, que apresentou alta principalmente nos vencimentos intermediários e longos.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, considera que as sanções foram um dos motivos para realização de lucros, mas eventos políticos recentes trouxeram maior impacto. A vantagem de Lula nas pesquisas reforça a expectativa de continuidade de políticas fiscais menos rigorosas.
O C6 Bank revisou sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026, aumentando-a para 14,0%, citando a recente comunicação do Banco Central. Segundo Felipe Salles, economista-chefe do banco, o cenário está mais inclinado para riscos altistas da inflação, o que pode levar a uma pausa nos cortes da Selic.
O BTG Pactual mantém visão neutra sobre a curva de juros para julho, sem expectativa de surpresas baixistas na inflação que possam estimular otimismo para política monetária afrouxada.
Fonte: Estadão Conteúdo
