FOLHAPRESS
O dólar está valorizando nesta quarta-feira (1º), acompanhando o mercado internacional, impulsionado por previsões de que os juros nos Estados Unidos poderão subir.
Kevin Warsh, novo presidente do Fed (Banco Central dos EUA), declarou em um evento internacional que continuará não dando pistas sobre futuras decisões de política econômica, mas ressaltou que o Fed continuará firme no combate à inflação.
Além disso, as sanções dos EUA contra suspeitos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) geraram impacto no mercado interno.
Por volta das 15h03, o dólar teve alta de 0,71%, sendo cotado a R$ 5,20. A bolsa de valores caiu 0,17%, chegando a 171.714 pontos, com uma queda menor em comparação à abertura, quando recuou mais de 1%.
Durante o fórum anual do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal, Warsh afirmou que os dirigentes do Fed decidirão sobre a alta dos juros na próxima reunião, fechando o tema para debate interno.
Ele declarou que os riscos de inflação diminuíram, mas reforçou que o Fed continuará empenhado em manter a estabilidade dos preços nos EUA.
Esta foi a primeira aparição pública de Warsh após a reunião de política monetária do Fed em junho, onde discutiu sua abordagem ao lado de líderes do BCE, Banco da Inglaterra e Banco do Canadá.
Investidores reforçaram suas apostas em uma alta dos juros após a última reunião. Apesar das taxas terem sido mantidas entre 3,5% a 3,75% ao ano, o mercado interpretou os sinais do Fed como indicativo de uma postura mais agressiva contra a inflação.
O relatório de emprego ADP, divulgado hoje, mostrou a criação de 98 mil empregos no setor privado dos EUA em junho, abaixo da expectativa de 118 mil. Esse resultado indica um mercado de trabalho menos aquecido, o que tende a reduzir a pressão inflacionária.
Contudo, o mercado continua aguardando o relatório oficial de empregos, previsto para quinta-feira (2), pois o indicador ADP tem mostrado limitações para prever o número real de vagas.
A analista de investimentos Rebecca Nossig, da Nomad, explicou que a combinação de um mercado de trabalho apertado e uma inflação persistente aumentou consideravelmente as expectativas por uma nova alta de juros pelo Fed.
Com isso, os títulos públicos americanos, considerados seguros globalmente, oferecem rendimentos maiores, o que afeta negativamente mercados emergentes, reduzindo investimentos estrangeiros na bolsa brasileira e impulsionando a valorização do dólar frente ao real.
De acordo com a ferramenta CME Fed Watch, 60% dos operadores esperam uma alta da taxa de juros na reunião de setembro. O dólar subiu globalmente, com o índice DXY subindo 0,11%, atingindo 101,28 pontos.
O rendimento da treasury de 10 anos, referência global, subiu 1%, influenciando o aumento das taxas de juros futuras no Brasil.
A taxa do DI para janeiro de 2029 ficou em 14,28%, alta de 0,2 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 subiu 0,19 ponto, para 14,36%.
Esse movimento também reflete a percepção de risco sobre o Brasil após o governo dos EUA anunciar sanções contra brasileiros e empresas suspeitas de ligação com o PCC, considerado pela administração republicana como a maior organização criminosa do Ocidente.
A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, afirmou que as sanções impactaram o dólar e o mercado como um todo.
Gustavo Okuyama, gestor de renda fixa da Porto Asset, acrescentou que as sanções podem gerar incertezas caso nomes de grande relevância sejam envolvidos.
Em maio, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA já havia causado turbulência no mercado, especialmente em relação às relações comerciais com o país.
Além disso, uma recente pesquisa eleitoral mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o segundo turno da eleição presidencial.
Embora Lula tenha 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio, o mercado ainda demonstra cautela, preocupado que a reeleição do presidente possa dificultar o controle das contas públicas e da inflação, mantendo os juros básicos elevados.
Apesar desses receios, nos últimos tempos os investidores têm se preparado para um possível corte na taxa Selic.
