A produção média de petróleo no Brasil aumentou 16,9% em maio, comparado ao mesmo mês do ano anterior, alcançando 4,3 milhões de barris por dia, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta-feira, 1º de junho.
Este volume representa o segundo maior nível médio mensal registrado na história do país, ficando somente atrás do recorde de abril, quando a produção chegou a 4,33 milhões de barris por dia, marca que foi a terceira consecutiva.
O crescimento foi puxado principalmente pelo pré-sal, que respondeu por mais de 80% da produção total de petróleo em maio, com 3,47 milhões de barris por dia.
Este resultado reflete uma tendência de alta constante após o Brasil ter registrado uma produção média histórica em 2025, com 3,77 milhões de barris diários.
Na divisão por empresa, a Petrobras, maior produtora do país, foi responsável por 2,55 milhões de barris por dia. A Shell, que é parceira principal da Petrobras no pré-sal, produziu 415,3 mil barris diários, enquanto a TotalEnergies atingiu 209,9 mil barris.
Em relação ao gás natural, a produção foi de 206,06 milhões de metros cúbicos por dia, uma leve queda de 0,3% em relação ao mês anterior, porém um aumento de 19,6% na comparação anual.
Nem todo o gás natural produzido é comercializado: em maio, 60,83 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados para o mercado, enquanto 120,13 milhões foram reinjetados em reservatórios. Houve ainda consumo interno nas plataformas e queima de parte do gás.
Combinando petróleo e gás natural, a produção total brasileira em maio chegou a 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
De acordo com o banco Goldman Sachs, o mercado mundial de petróleo deve experimentar excesso de oferta nos próximos meses, conforme a situação no Estreito de Hormuz volta ao normal após conflitos recentes.
Samantha Dart, co-chefe de pesquisa global de commodities, declarou que a recomposição das reservas estratégicas globais pode apertar o mercado, mas isso é parcialmente compensado pelo excedente no mercado.
Ela prevê que o excesso de oferta ficará acima de 3 milhões de barris por dia no próximo ano, mesmo considerando a recomposição das reservas emergenciais dos EUA.
Além disso, as exportações pelo Estreito de Hormuz devem retornar à normalidade até o final de julho, o que deve equilibrar ainda mais a oferta global.
Sobre propostas de cobrança de taxas para transporte marítimo, Samantha Dart comentou que as empresas preferem clareza nas regras do que o custo em si, para evitar riscos com sanções internacionais.
Ela destacou que o custo estimado de um possível pedágio, que seria cerca de 1 dólar por barril, é comparável à volatilidade normal dos preços do petróleo e pode não impactar significativamente os custos de energia.
