Isabella Menon
FolhaPress
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas de São Paulo e uma empresa portuguesa suspeitas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Os EUA classificam o PCC como a maior organização criminosa do Ocidente.
A facção paulista e o Comando Vermelho (CV) foram considerados grupos terroristas no fim de maio por Washington.
A ação foi baseada em duas ordens executivas: a 14059, que combate o tráfico de drogas, e a 13224, que autoriza sanções contra terroristas e seus apoiadores.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, informou que os suspeitos usavam empresas de fachada para receber dinheiro obtido ilegalmente nos Estados Unidos e enviá-lo para o PCC no Brasil.
Os principais alvos são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Shimada era o principal intermediário entre o PCC na Flórida e traficantes internacionais, tendo lavado mais de US$ 30 milhões (R$ 156 milhões) em diversas cidades americanas, usando criptomoedas.
O Tesouro dos EUA informou que Shimada usava uma rede de empresas para esconder a origem ilegal do dinheiro, incluindo a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., e Wave Construções Inteligentes Ltda., todas em São Paulo.
Além das brasileiras, a empresa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., de Portugal, também foi sancionada.
Stella, próxima colaboradora de Shimada, prestava suporte na retirada de grandes quantias e dava apoio logístico nas operações de lavagem.
O Departamento do Tesouro destaca que o PCC representa uma ameaça à segurança dos EUA, com membros ativos principalmente na Flórida, que lavam dinheiro do tráfico internacional e financiam outras atividades criminosas.
Em janeiro, o FBI prendeu seis membros da célula na Flórida, que foram denunciados por lavagem de dinheiro no sistema federal americano. As sanções recentes visam a estrutura financeira do PCC no Brasil.
Gene Lange, subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, afirmou: “O crime organizado no Ocidente não pode operar nos EUA e contribuir para crime e desordem”.
Investigações no Brasil revelaram uma operação de lavagem comandada pelo PCC que usava uma rede de distribuição e comércio eletrônico chinesa para movimentar mais de US$ 190 milhões (R$ 990 milhões) em sete meses.
As sanções bloqueiam bens dos alvos nos EUA e proíbem empresas e cidadãos americanos de fazerem negócios com eles. Instituições estrangeiras que mantenham negócios relevantes com os sancionados também podem ser penalizadas.
Esta é a terceira vez que o Ofac sanciona o PCC, que havia sido alvo em dezembro de 2021 e em março de 2024, quando foi sancionado também Diego Macedo Gonçalves do Carmo, operador financeiro da organização.
