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quarta-feira, 06/05/2026

MP acusa PMs de simular tiroteio e matar delator do PCC

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O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou dois policiais militares suspeitos de simular um tiroteio que resultou na morte de três homens em 2023, na região da BR-060, entre Goiânia e Abadia de Goiás.

Os acusados são o tenente-coronel Edson Luis Souza Melo, conhecido como Coronel Edson Raiado, e o major Renyson Castanheira Silva, denunciados por homicídio qualificado.

As vítimas eram dois mecânicos de aeronave e um piloto que já teve ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a denúncia, eles foram mortos com tiros pelas costas, sem chance de defesa.

Entenda o caso

  • O crime ocorreu em 17 de fevereiro de 2023.
  • Na época, os policiais faziam parte do Comando de Operações de Divisas (COD) e foram até uma chácara após denúncia anônima sobre tráfico de drogas envolvendo helicópteros.
  • No local, encontraram três homens próximos a aeronaves e uma caminhonete.
  • Os militares atiraram diversas vezes contra as vítimas, mesmo estas sem oferecer resistência.
  • Edson teria disparado 12 vezes com uma pistola 9mm, enquanto Renyson efetuou três disparos com fuzil 5.56.

Para o Ministério Público, há evidências claras de execução. Laudos periciais indicam que as vítimas foram atingidas por múltiplos disparos pelas costas, alguns até quando já estavam no chão, impossibilitando qualquer defesa.

A denúncia ainda aponta que os policiais adulteraram a cena do crime, recolhendo cápsulas de munição e movendo os corpos para simular um confronto. As armas encontradas estavam intactas e localizadas dentro do veículo, longe dos corpos.

Além disso, a denúncia destaca uma suposta omissão de socorro, já que o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ocorreu com atraso, somente após as alterações feitas pelos policiais.

Versão da Polícia Militar

Na época, a Polícia Militar de Goiás (PMGO) afirmou que a equipe foi recebida a tiros e que ocorreu um confronto. Informaram também que o local funcionava como ponto de tráfico de drogas, com apreensão de helicópteros, drogas e armas.

No entanto, essa versão é contestada por testemunhas e por dados de georreferenciamento das viaturas, que indicam inconsistências na narrativa dos policiais.

O Ministério Público solicitou o afastamento dos policiais das funções públicas e a proibição do porte de armas. A PMGO informou que ainda não foi notificada oficialmente da denúncia, mas que tomará providências imediatamente após.

Delator do PCC

Felipe Ramos Morais era a principal testemunha na investigação de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC em São Paulo, que envolvia bens bloqueados no valor de R$ 800 milhões.

Sua delação premiada estava em fase de homologação quando foi morto, o que levou à anulação das operações relacionadas ao seu testemunho.

A reportagem tentou contato com a defesa dos acusados, que permanecem disponíveis para manifestações.

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