Cerca de 158 mil pessoas participaram das manifestações sindicais realizadas em toda a França na sexta-feira, 1º de maio, dia do trabalhador, conforme dados do Ministério do Interior. Em Paris, o número oficial foi de 24 mil manifestantes, enquanto a central sindical CGT informou mais de 300 mil pessoas no país, sendo 100 mil na capital.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, descreveu os atos como “em sua maioria pacíficos”. Foram registradas 15 prisões em todo o território nacional, incluindo sete em Paris.
Na capital, cerca de 1.500 policiais foram mobilizados para garantir a segurança. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os protestos ocorreram de forma geral tranquila, sem incidentes graves.
Apesar da importância do 1º de maio para o sindicalismo francês, o movimento tem passado por um declínio histórico, com apenas 7% dos trabalhadores sindicalizados atualmente. Essa queda está ligada à desindustrialização do país, que reduziu o número de trabalhadores da indústria, base tradicional das mobilizações sindicais. Como resultado, o público das manifestações tem diminuído.
Recentemente, essa situação levou a investidas políticas. Em abril, o ex-primeiro-ministro e deputado Gabriel Attal propôs uma lei que facilitaria a abertura do comércio no feriado. No entanto, diante da resistência das centrais sindicais, o governo limitou essa permissão para padeiros e floristas a partir de 2027 e garantiu que neste ano não haveria multas para estabelecimentos que funcionassem na data.
Ataque simbólico
Os sindicatos veem essa flexibilização como um ataque simbólico. “Não deveria estar na agenda parlamentar o roubo do Dia do Trabalho, mas sim um plano robusto de reajustes salariais”, afirmou a líder da CGT, Sophie Binet, durante a marcha em Paris.
Em carta enviada ao primeiro-ministro Sébastien Lecornu, Sophie Binet pediu um aumento de 5% no salário mínimo e a indexação dos salários à inflação.
O protesto acontece em meio a uma pressão sobre direitos consolidados, com discussões frequentes sobre a jornada de trabalho de 35 horas e o descanso aos domingos.
No total, foram planejadas 320 manifestações para esta sexta-feira em todo o país.
