O governo do presidente argentino Javier Milei proibiu o acesso de jornalistas à Casa Rosada nesta quinta-feira (23/4), após suspeitas de “espionagem ilegal” envolvendo imagens gravadas com óculos inteligentes por uma emissora de TV. A decisão gerou críticas por parte dos profissionais de imprensa, que veem na medida uma violação à liberdade de expressão e ao direito da sociedade de se informar.
A suspensão do acesso aos jornalistas foi anunciada pelo diretor de Comunicação do governo, Javier Lanari, via rede social X. Ele explicou que o sistema de entrada baseado em impressão digital foi desativado como medida preventiva após uma denúncia relacionada à segurança nacional. Um jornalista da agência Reuters foi impedido de entrar na Casa Rosada, onde são realizadas entrevistas coletivas e comunicados oficiais do governo.
“O único objetivo é garantir a segurança nacional”, afirmou Javier Lanari ao justificar a proibição.
Acusações de Milei
“Gostaria muito de ver esses lixos repugnantes que se dizem jornalistas saindo em defesa do que esses dois criminosos fizeram”, escreveu o presidente argentino, em alusão à reportagem da TN, onde aparece o chefe da Casa Civil, Manuel Adorni, circulando pela Casa Rosada.
Em resposta, jornalistas credenciados divulgaram uma nota conjunta afirmando que a decisão de barrar a imprensa é injustificada e representa uma grave violação à liberdade de imprensa, ao jornalismo e ao direito da população à informação.
Desde que assumiu a Presidência em dezembro de 2023, Javier Milei tem feito frequentes ataques a jornalistas, tanto em redes sociais quanto em entrevistas. Organizações de defesa da liberdade de imprensa têm alertado para a deterioração das relações entre o governo argentino e os meios de comunicação.
