O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi criado há mais de 20 anos. Em 2013, o promotor Lincoln Gakiya entregou ao Judiciário a maior investigação já feita pelo Ministério Público de São Paulo contra essa organização criminosa, com uma denúncia detalhada que mostrava a existência de uma quadrilha com 175 membros. Naquele ano, o crime organizado já estava consolidado, expandindo suas ações para além das fronteiras brasileiras.
Naquela época, o grupo controlava cerca de 7,6 mil pessoas, movimentava cerca de R$ 120 milhões por ano e estava presente em 22 estados brasileiros e três países. Desde 2007, já atuava no tráfico internacional de drogas.
Hoje, o PCC tem cerca de 40 mil integrantes, fatura cerca de R$ 10 bilhões por ano, atua em todos os estados do país e está presente em 28 países. A liderança é mantida por Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que está preso desde 1999 na Penitenciária Federal de Brasília. A facção é organizada em um colegiado chamado Sintonia Final Geral, contando com vários departamentos específicos, conforme relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Marco Willians Herbas Camacho
- Conhecido como Marcola;
- Assumiu o comando após expulsar os fundadores do grupo; está condenado a mais de 300 anos de prisão, embora sua defesa negue as acusações.
Julio César Guedes de Morais
- Apelidado de Julinho Carambola;
- Um dos membros mais antigos da liderança, apontado como número 2 do PCC e envolvido com tráfico de drogas.
Cláudio Barbará da Silva
- Conhecido como Barbará;
- Especialista em roubos a banco e joalherias, responsável por planos de fuga, incluindo o uso de helicóptero blindado.
Reinaldo Teixeira dos Santos
- Apelidado de Funchal;
- Responsável por disparos que mataram o juiz-corregedor Antônio Machado Dias em 2003, executado pela organização.
Antônio José Müller
- Conhecido como Granada;
- Alvo de operação que investiga o setor jurídico da facção, acusado de chefiar uma cooperativa de transporte de passageiros.
Eric Oliveira Farias
- Apelidado Eric Gordão;
- Condenado a 30 anos de prisão, alvo de operação contra o setor jurídico do PCC.
Márcio Luciano Neves Soares
- Conhecido como Pezão;
- Envolvido em plano de fuga da liderança que resultou na transferência de integrantes para presídios federais.
Marcos Roberto de Almeida
- Chamado Tuta;
- Preso na Bolívia e extraditado, chefe do setor responsável pelas operações de rua, envolvido em pagamento de propina a policiais.
Patrick Velinton Salomão
- Apelidado Forjado;
- Libertado do presídio federal em 2023 com a missão de atacar figuras políticas importantes.
Francisco Antonio Cesário da Silva
- Conhecido como Piauí;
- Primeiro preso paulista enviado a presídio federal, liderava o tráfico em favela de Paraisópolis.
Pedro Luís da Silva Soares
- Chamado Chacal;
- Acusado de ordenar o assassinato de ex-delegado-geral de São Paulo em 2025.
Décio Gouveia Luiz
- Conhecido como Décio Português;
- Investigado por lavagem de dinheiro na empresa de ônibus UPBus, homem de confiança de Marcola.
Sérgio Luiz de Freitas Filho
- Apelidado Mijão;
- Responsável por plano para matar promotor do Gaeco, vive na Bolívia e é um dos principais traficantes da facção.
Genivaldo Ferreira dos Santos
- Chamado Fazendinha;
- Coordenava a logística do transporte de cocaína da Bolívia para São Paulo, preso em 2025.
Antonio Alves de Oliveira
- Chamado Dudu;
- Entrou na liderança em 2025 após atuar no setor de operações de rua.
Em 12 de maio, completaram-se 20 anos dos ataques do PCC contra forças de segurança em São Paulo, quando 564 pessoas morreram e várias outras ficaram feridas. Desde então, o grupo tem crescido e seu domínio se expandido.
O Departamento de Inteligência da Polícia Civil identificou 12 departamentos internos da facção, além de um setor específico. O PCC atua em 14 áreas diferentes da economia, incluindo postos de gasolina, concessionárias de automóveis, construção civil, casas de câmbio, bancos digitais, criptomoedas, empresas de ônibus, igrejas, mineração ilegal, organizações de saúde, coleta de lixo, apostas esportivas, agrotóxicos e negócios relacionados ao futebol.
Investigações apontam que o PCC movimenta grandes somas de dinheiro em operações que envolvem evasão fiscal, lavagem de dinheiro e outras fraudes financeiras, com valores que chegam a bilhões de reais.
