Em abril, os preços de bens e serviços no Brasil subiram 0,67%, o que mostra uma desaceleração em relação a março, quando a alta foi de 0,88%. Esses dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os principais responsáveis pela redução da inflação foram os grupos de alimentação e bebidas e saúde e cuidados pessoais, que inclui os remédios. Os preços desses grupos subiram 1,34% e 1,16%, respectivamente. Em contrapartida, o setor de transportes apresentou uma baixa significativa, principalmente devido à queda nos preços das passagens aéreas e do transporte urbano.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,39%, permanecendo acima da meta central de 3%, mas ainda dentro do limite máximo de 4,5%. No acumulado de janeiro a abril, o aumento foi de 2,60%.
Entendendo o IPCA
O IPCA é o indicador oficial da inflação no Brasil, calculado pelo IBGE desde 1979. Ele mede a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras, considerando 90% da população urbana.
Este índice é fundamental para que o Banco Central ajuste a taxa básica de juros, a Selic, usada para controlar a inflação.
Grupos com maior impacto
No mês de abril, os maiores aumentos vieram dos alimentos e bebidas, que tiveram alta de 1,34%, e da saúde e cuidados pessoais, com 1,16%. O grupo de transportes, que inclui combustíveis, teve alta mínima de 0,06%, pressionado pela queda de 14,45% nas passagens aéreas e redução nos gastos com ônibus urbano.
Entre os alimentos que mais subiram de preço estão a cenoura, leite longa vida, cebola, tomate e carnes. Porém, alguns itens apresentaram queda, como café moído e frango em pedaços.
“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.
Preços dos remédios
A alta na categoria de saúde e cuidados pessoais foi fortemente influenciada pelo aumento de 1,77% nos preços dos medicamentos, seguindo um reajuste autorizado de até 3,81% a partir de 1º de abril. Produtos de higiene pessoal também tiveram alta relevante, especialmente os perfumes.
Variação do IPCA por grupos em abril
- Alimentação e bebidas: 1,34%
- Habitação: 0,63%
- Artigos de residência: 0,65%
- Vestuário: 0,52%
- Transportes: 0,06%
- Saúde e cuidados pessoais: 1,16%
- Despesas pessoais: 0,35%
- Educação: 0,06%
- Comunicação: 0,57%
INPC também desacelera
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que serve de base para reajuste do salário mínimo e benefícios sociais, subiu 0,81% em abril, menor que os 0,91% registrados em março. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula aumento de 4,11%.
