ANA PAULA BRANCO
FOLHAPRESS
O mercado imobiliário de São Paulo terminou 2025 com o lançamento de 139,7 mil novas moradias, aumentando 34% em comparação a 2024. Esse crescimento recorde foi impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
As moradias do programa representaram 61% dos lançamentos (85,4 mil unidades) e 64% das vendas (72 mil unidades) na cidade. O valor médio das unidades do Minha Casa, Minha Vida ficou próximo de R$ 270 mil, possibilitando que cerca de 1,2 milhão de pessoas na capital tenham conseguido sua casa própria na última década.
“Se em 2016 lançamos 3.500 unidades pelo programa, e agora estamos lançando 85 mil, isso mostra como as empresas melhoraram bastante sua produção”, disse Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, durante a divulgação dos números.
Celso Petrucci acrescenta que o aumento da produtividade na construção ajudou a manter o preço das casas bem abaixo da inflação, facilitando o acesso para mais famílias.
Os imóveis que mais vendem em São Paulo são apartamentos com dois quartos e entre 30 m² e 45 m². Em dezembro de 2025, esses apartamentos representaram 66% das vendas, e os imóveis compactos (até 45 m²) foram 64% do mercado.
“Não produzimos o que queremos, produzimos o que o consumidor demanda”, afirmou Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, explicando que o setor se adaptou ao orçamento da classe média e popular.
Na cidade, a zona sul lidera as atividades, com 40% dos lançamentos e 33% das vendas. A zona norte teve a maior velocidade de venda no último mês do ano, com 11,9%.
O bom desempenho vem da cooperação entre os governos federal (Minha Casa, Minha Vida), estadual (Casa Paulista) e municipal (Pode Entrar). Jorge Cury, novo presidente do Secovi-SP, destacou que essa união é inédita e que o FGTS terá um orçamento de R$ 160 bilhões para 2026.
Apesar do otimismo, o financiamento pelo SBPE (poupança) caiu 13% em 2025. Segundo Ely Wertheim, sem a liberação das reservas compulsórias, essa queda teria sido de 50%.
Já o financiamento com recursos livres, como capital de mercado, cresceu de R$ 6 bilhões para R$ 29 bilhões, por causa de mudanças nas regras.
Para 2026, espera-se estabilidade, mas há preocupação com a reforma tributária e falta de mão de obra. O Secovi-SP prevê que a reforma aumentará em 7% a 8% os custos de construção, o que deve refletir no preço final.
A falta de profissionais qualificados e a possível redução da jornada de trabalho para escala 6×1 preocupam as construtoras. O setor teme atrasos nas entregas e aumento dos custos sem regulamentação adequada.
No cenário geral, a queda dos juros e ajustes fiscais pelos candidatos à Presidência podem liberar a demanda reprimida da classe média a partir de 2027.
Jorge Cury afirma que o mercado responde bem a sinais de responsabilidade fiscal dos políticos.
O estoque final de imóveis na capital fechou o ano em 85,2 mil unidades, resultado dos lançamentos superando as vendas. O Secovi-SP não vê risco de crise de oferta porque o tempo para vender os imóveis está saudável, principalmente no segmento econômico, onde o estoque duraria oito meses caso novos lançamentos parassem.
