Gabriella Franco
São Paulo, SP (FolhaPress)
“Minha vida não acabou. Não vou desistir”, afirmou Marcela Vitória de Lima Santos, 19 anos, em entrevista ao Fantástico da TV Globo neste domingo (19). A jovem perdeu a perna direita após um ataque de tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, Recife, no dia 1º de junho.
Naquele dia, Marcela entrou no mar para nadar e foi atacada pelo tubarão. Ela foi resgatada pelo primo, o vigilante Jonas André de Lima, que a puxou até a praia já sem a perna.
Um médico que estava de férias no local, Mike Andrade, improvisou um torniquete para evitar que o sangramento continuasse até a chegada do socorro.
Marcela foi levada inicialmente ao Hospital Alfa e depois transferida para o Hospital da Restauração, referência em trauma em Pernambuco, onde passou por cirurgia de emergência. Ficou internada na UTI e depois na enfermaria, recebendo alta após 40 dias.
Esse foi o segundo ataque de tubarão em Pernambuco em 48 horas — um dia antes, um menino de 11 anos teve a perna amputada após ser mordido em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
Segundo o Fantástico, Marcela está com uma prótese que conseguiu por meio de uma campanha pela internet e está se recuperando. Ela ganhou uma bolsa de estudos na faculdade que frequenta. A família celebra a recuperação e a chance de recomeço.
Pernambuco retoma o monitoramento de tubarões
Após vários ataques, o governo de Pernambuco anunciou a volta do monitoramento de tubarões no litoral, que estava parado há mais de dez anos. O projeto vai capturar e marcar tubarões para acompanhar seus movimentos usando telemetria acústica.
O trabalho é realizado pelo projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Era previsto que as atividades começassem em junho, mas o monitoramento deve iniciar até o começo de agosto, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha.
O monitoramento usará transmissores acústicos implantados nos tubarões e hidrofones em pontos estratégicos do mar.
Os transmissores enviam sinais em intervalos regulares, captados pelos receptores quando o tubarão passa perto. Os dados são registrados e coletados depois pelos pesquisadores.
Cada transmissor tem um número único. Com as informações de data, hora e local, os cientistas podem acompanhar os deslocamentos dos tubarões.
O sistema atual não permite alerta em tempo real nem avisos imediatos para banhistas. Para isso, seria preciso instalar uma estrutura na superfície que transmita os dados dos receptores submersos.
