Em nova ação, a Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) retirou 146 barracos de madeira e lona que foram construídos de forma irregular perto do Parque Nacional de Brasília e do Setor Santa Luzia, na Estrutural. Essa medida faz parte das operações para combater a grilagem e novas invasões na Área de Preservação Ambiental (APA) do Planalto Central.
Já no início de julho, essas invasões passaram a ser monitoradas, e a operação realizada no dia 20 contou com a participação da Terracap, Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF). Foram recolhidos seis caminhões-caçamba com entulho e aplicadas medidas legais contra os responsáveis.
Durante a ação, o ICMBio prendeu duas pessoas em flagrante por crimes ambientais, aplicou uma multa de R$ 120 mil a um dos líderes da ocupação irregular e a Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu um veículo e um celular dentro da área invadida.
Invasões frequentes preocupam especialistas
O professor Reuber Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Rede Biota Cerrado, destaca que a invasão de terras é um problema antigo do Distrito Federal, ligado à falta de segurança na posse da terra. Ele afirma que muitas vezes as invasões não são revertidas, levando ao estabelecimento definitivo dessas ocupações, o que prejudica o meio ambiente e as condições de moradia.
Reuber alerta ainda que as áreas próximas a unidades de conservação atraem ocupações irregulares, que desordenam o planejamento territorial e ameaçam a vegetação nativa.
Para a biodiversidade, a situação é grave. Segundo o professor, os grandes mamíferos do DF estão ameaçados devido ao isolamento das áreas de conservação, que acabam formando ilhas sem condições para manter populações estáveis. Isso resulta em atropelamentos, ataques de cães e caça, afetando a fauna local a longo prazo.
Segundo a DF Legal, a operação foi feita para impedir que os parcelamentos ilegais se estabeleçam na região, protegendo a APA do Planalto Central e o Parque Nacional de Brasília. O governo continuará monitorando para evitar o retorno das invasões.
