O número de jovens empreendedores de até 29 anos cresceu significativamente, passando de 3,9 milhões em 2012 para 4,9 milhões em 2024, um aumento de 20%, segundo dados do Sebrae. No Distrito Federal, até o primeiro trimestre de 2026, foram registrados 51,3 mil jovens empreendedores, sendo que 65,3% atuam no setor de serviços, 16,3% na construção e 11,8% no comércio.
A maior parte desses negócios já está em atividade há pelo menos dois anos, o que demonstra a capacidade desses jovens de se manterem no mercado. Cerca de 55,3% dos empreendimentos têm mais de dois anos de existência.
Segundo Jorge Adriano, gerente da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae, o crescimento do empreendedorismo entre jovens do DF é resultado de diversos fatores. As novas gerações têm maior facilidade com tecnologia, reconhecem oportunidades com rapidez e utilizam redes sociais e plataformas digitais para promover e vender seus produtos com menor custo. Além disso, muitos jovens buscam no empreendedorismo autonomia, propósito e crescimento profissional.
Esse é o caso de Poliany Villa Real, de 28 anos, que fundou a confeitaria Poli Real há três anos. Inicialmente uma atividade extra, a confeitaria se tornou sua principal fonte de renda. Poliany conta que, apesar de não ter começado com um planejamento formal, investiu pouco no início e conseguiu rapidamente ampliar sua carteira de clientes, atendendo principalmente grandes eventos como casamentos e festas de 15 anos.
Outro exemplo é Guilherme Enzo Taya Nakanishi, de 29 anos, cofundador da produtora audiovisual CRIAmov. Criado em uma família de empreendedores, ele iniciou o negócio em 2017 sem capital inicial, investindo tempo, conhecimento e esforço. A empresa cresceu e hoje também atua na formação e capacitação de profissionais.
Rotina e desafios
Empreender exige dedicação e disciplina. A rotina de Poliany é intensa, ultrapassando frequentemente 10 horas diárias, especialmente em períodos de produção para eventos. Para Guilherme, cada dia traz um novo desafio, envolvendo planejamento, produção, atendimento e resolução de problemas.
Os principais desafios enfrentados pelos jovens empreendedores estão na gestão do negócio, no planejamento financeiro e no conhecimento do mercado. Jorge Adriano destaca que esses obstáculos podem ser superados com capacitação e orientação adequada.
Atualmente, Poliany enfrenta dificuldades para encontrar um espaço físico para seu negócio devido aos altos custos de aluguel, enquanto Guilherme destaca o desafio de formar e gerir a equipe de forma completa e qualificada.
Planos para o futuro
Tanto a confeitaria Poli Real quanto a produtora CRIAmov estão consolidadas no mercado do Distrito Federal e possuem planos para ampliar suas atividades. Guilherme menciona a expansão para novas áreas, como a criação da Agência Suco e da escola BELA07 para formação de novos talentos.
Poliany planeja mudar sua confeitaria para um espaço físico maior e contratar funcionários para auxiliar nas produções. Ela também pensa em oferecer cursos, visando a expansão do negócio no próximo ano.
