Brasília, 06 – A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) vão comparar as informações da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro com as evidências encontradas no celular do banqueiro e outras investigações da Operação Compliance Zero, para descobrir se ele trouxe fatos novos em seu depoimento.
Esse será o primeiro passo a ser tomado depois da entrega da proposta de delação. Ainda não foram discutidos temas como a duração da pena ou o valor de ressarcimento.
A defesa do banqueiro entregou um documento aos investigadores com vários tópicos que serão tratados na delação, chamados de “anexos”.
Cada anexo fala sobre um fato diferente e contém um resumo do que Daniel Vorcaro quer dizer, junto com uma descrição das provas possíveis. O conteúdo desse material está em sigilo.
Esses fatos serão comparados com todas as provas já recolhidas na Operação Compliance Zero para verificar se as informações são novas e justificam a delação. Não há prazo definido para esse trabalho, mas os investigadores vão priorizá-lo para que não demore muito.
Foi pelo celular de Vorcaro que a Polícia Federal lançou as duas últimas fases da Operação Compliance Zero, que resultaram na segunda prisão de Vorcaro e na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Os diálogos mostraram que Vorcaro usava um grupo armado para ameaçar inimigos, tinha maneiras de invadir sistemas de órgãos de investigação e combinou o pagamento de R$ 146 milhões em imóveis para Paulo Henrique Costa.
Nesse momento, a proposta de delação não vem com documentos que confirmem os fatos nem envolve discussão sobre pena ou ressarcimento.
No final dessa primeira análise, a Polícia Federal e a PGR vão decidir se querem um acordo de colaboração premiada com o dono do Banco Master ou se rejeitam a proposta.
Se os investigadores acharem que os fatos são realmente novos e resolverem dar continuidade à delação, começarão a negociar os termos do acordo.
Depois que os dois grupos chegarem a um acordo, os investigadores ouvirão os depoimentos de Vorcaro sobre cada anexo. Além disso, a defesa deve fornecer documentos e provas que confirmem as informações.
Com tudo acertado, a colaboração premiada poderá ser assinada e enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que dará a aprovação legal ao documento. O acordo só vale após a homologação do ministro.
