O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 0,58% em maio, um pouco menos que abril, quando foi 0,67%, mas ainda assim a maior para este mês desde 2021. Essa alta superou o que os economistas haviam previsto, que era 0,53%. Os principais motivos da inflação são o aumento nos preços dos alimentos, da energia elétrica e dos serviços de saúde.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada subiu de 4,39% em abril para 4,72% em maio, ultrapassando o limite máximo da meta de inflação que é 4,5%, e se afastando do centro da meta que é 3%. Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, será discutida a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5%. A inflação alta pode limitar a possibilidade de cortes na Selic.
Uma pesquisa com 49 instituições mostra que a maioria espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião. No entanto, algumas instituições financeiras renomadas como Barclays, JPMorgan e BNP Paribas já acham que a taxa de juros básica pode acabar ficando maior no final de 2026 do que o esperado no começo do mês.
Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que o fim do ciclo de cortes na Selic é influenciado pela inflação atual e pelo cenário internacional complicado, além da alta nas expectativas de inflação. Já Carlos Lopes, economista do Banco BV, aponta que a inflação está pressionada tanto pela demanda interna aquecida quanto por problemas no fornecimento, agravados pela guerra no Oriente Médio. Ele ressalta que o Copom pode continuar com os cortes, mas uma pausa também é possível devido às pressões inflacionárias evidentes.
Para o Banco Bradesco, a inflação deve continuar acima do teto da meta de 4,5% nos próximos meses.
Variações
Segundo o IBGE, a queda nos preços dos combustíveis, como gasolina, etanol e diesel, ajudou a conter a inflação em 0,13 ponto percentual no mês de maio. A gasolina teve a maior queda, de 1,46%, diminuindo a inflação geral.
Contudo, os preços dos alimentos subiram pelo sexto mês seguido. O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 1,33% e foi responsável por metade da inflação do mês. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, disse que essa foi a maior alta para um mês de maio desde 2015.
Houve grandes aumentos nos preços da batata inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). Por outro lado, o preço do café moído caiu 2,38% e o das frutas caiu 0,70%. O café está em queda por um ano, com redução de 12,25%. Isso ocorre devido a expectativa de uma safra recorde no Brasil e a tendência de queda do preço dessa commodity no mercado internacional.
A alimentação fora de casa também subiu, com o lanche aumentando 0,49% e a refeição 0,51% em maio.
O item que mais pressionou a inflação em maio foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67%, contribuindo com 0,15 ponto percentual para a inflação. O aumento foi por causa da bandeira tarifária amarela e reajustes em várias regiões, o que significa um custo extra para os consumidores na conta de luz.
Na área da saúde, houve aumento nos preços de produtos de higiene pessoal (1,95%), com destaque para o perfume (4,42%), e também em planos de saúde (0,50%).
Estadão Conteúdo

