São Paulo, 12 – O dólar caiu nesta sexta-feira, 12, chegando a R$ 5,06, influenciado por avanços nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, que diminuíram os riscos de inflação alta nos EUA e aumentaram o interesse por moedas de países emergentes.
O real foi uma das moedas que mais se valorizou no dia, apesar da queda dos preços do petróleo, devido à perspectiva de que o Banco Central brasileiro mantenha os juros estáveis após a divulgação dos dados de inflação de maio. Isso sugere que o diferencial de juros continuará atraente, favorecendo o real.
O dólar atingiu o menor valor do dia em R$ 5,0584 e fechou com baixa de 0,79%, em R$ 5,0615, acumulando uma queda de 1,86% na semana. No mês de junho, a moeda tem alta de 0,37%, enquanto no ano já caiu 7,79% em relação ao real.
Patrícia Krause, economista-chefe para América Latina da Coface, comentou que o movimento positivo nas moedas emergentes reflete o otimismo do mercado com a possibilidade de um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Após manhã instável com declarações conflitantes entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e autoridades iranianas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um chamado Memorando de Entendimento está próximo de ser finalizado, contemplando 14 artigos e garantindo a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo recuaram mais de 3% com a expectativa de um acordo, com o barril de WTI para julho sendo negociado a US$ 84,88 e o Brent para agosto a US$ 83,77.
O índice que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, o DXY, operou em leve queda, refletindo uma moeda americana ainda forte, suportada pela política monetária do Federal Reserve.
Espera-se que o Federal Reserve mantenha a taxa básica de juros inalterada na próxima reunião e adote um tom cauteloso, enquanto no Brasil, o Banco Central pode adotar uma postura mais cuidadosa em relação à calibração da taxa Selic, especialmente após o IPCA de maio mostrar inflação um pouco acima do esperado.
Mercado de ações
O Ibovespa fechou em leve queda de 0,21% nesta sexta-feira, refletindo cautela dos investidores diante das incertezas geopolíticas e econômicas. Apesar disso, o índice acumulou alta de 1,25% na semana. Já os principais índices de Nova York subiram em bloco, impulsionados pela estreia da SpaceX na Nasdaq, que teve valorização significativa.
Na B3, ações da Petrobras recuaram mais de 1%, acompanhando a queda do petróleo, enquanto Vale e os grandes bancos tiveram altas modestas.
O conflito no Oriente Médio ainda permanece uma preocupação, com declarações divergentes entre EUA e Irã e negociações em andamento para tentar um acordo de paz.
Juros e política monetária
Com a proximidade da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em junho, os juros futuros tiveram uma leve correção, influenciados pelas expectativas de que o Banco Central mantenha a taxa Selic estável, especialmente diante do cenário externo mais favorável e da sinalização de acordo entre EUA e Irã.
A probabilidade de manutenção da Selic nos atuais 14,50% diminuiu na sessão para 40%, enquanto a chance de redução de 0,25 ponto percentual voltou a ficar majoritária.
Apesar da melhora do cenário internacional, ainda existem riscos no mercado doméstico, como preocupações fiscais e o impacto da inflação mais alta, que podem limitar a flexibilização da política monetária no curto prazo.
Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, destacou que a curva de juros ainda reflete um posicionamento conservador dos investidores, e que o Banco Central perdeu parte da flexibilidade para cortes de juros no curto prazo.
Ian Lima, Diretor de Investimentos de Renda Fixa da Inter Asset, explicou que a manutenção da Selic é justificada pela inflação ainda pressionada, pelas expectativas inflacionárias deterioradas e por uma economia com atividade mais resiliente.
O IBGE divulgou que o IPCA desacelerou para 0,58% em maio, porém superou a mediana das previsões do mercado. Para Adriano Valladão, economista do Santander, a ausência de aceleração em vários núcleos inflacionários é uma notícia positiva.

