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Economia

Crescimento do PIB acima de 2% deve ser difícil em 2026, dizem especialistas

Foto: Reprodução/PrimerNews

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Especialistas em economia indicam que a chance do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescer mais de 2% em 2026, como prevê o Ministério da Fazenda e o Fundo Monetário Internacional (FMI), está menor e menos provável atualmente.

Essa conclusão vem após os dados recentes do comércio varejista, serviços e indústria, que mostram uma desaceleração causada pelos juros altos usados para controlar a inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que as vendas no varejo subiram 0,5% em junho comparado a maio, que teve aumento de 0,3%, mas caiu 1,5% em abril.

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Quando considerado o varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado de alimentos, houve queda de 1% em junho, marcando o quarto mês seguido com resultados negativos.

O setor de serviços ficou estável em junho, depois de um leve recuo em maio, enquanto a indústria teve uma queda de 1,8%, sendo o segundo mês consecutivo de números negativos para as fábricas.

O IBGE divulgou os dados de serviços no dia 12 de agosto e da indústria na primeira semana do mês.

Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, afirma que os juros exerceram o efeito esperado, desacelerando a economia com intensidade crescente, dificultando um crescimento do PIB acima de 2% este ano.

Ele prevê uma alta de 1,7% para 2026, afirmando que para ultrapassar 2%, seria necessário um crescimento mais acelerado durante o ano, algo que não é o cenário atual.

O boletim Focus do Banco Central mostra uma mediana de mercado indicando crescimento de 1,98% para 2026, ligeiramente abaixo da projeção anterior de 1,99%.

Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, mesma taxa que o Ministério da Fazenda prevê para 2026. O FMI recentemente aumentou sua previsão para 2,4% este ano.

André Valério, economista do banco Inter, considera improvável que o PIB cresça acima de 2% em 2026, com previsão de 1,8% para o ano e 0,5% de crescimento no segundo trimestre em relação ao primeiro.

No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1%, impulsionada pela safra, e os dados do segundo trimestre serão divulgados em 1º de setembro pelo IBGE.

Valério observa sinais claros de perda de ritmo econômico, mesmo com as medidas de incentivo fiscal adotadas durante o ano.

Se as previsões se confirmarem, 2026 será o primeiro ano desde 2020 com crescimento do PIB abaixo de 2%, ano em que a economia sofreu queda de 3,3 devido à pandemia.

Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, comenta que a desaceleração foi mais uniforme nos últimos meses, afetando várias atividades, e esperada devido aos juros altos e à comparação com bases elevadas dos anos anteriores.

A Buysidebrazil projeta crescimento de 1,9% para 2026 e leve alta de 0,1% no segundo trimestre em relação ao primeiro.

Sartori destaca que essa desaceleração é positiva para controlar a inflação, que poderia aumentar se a economia continuasse acelerando no ritmo anterior.

Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na Selic, mas ressaltou que a inflação ainda está sob pressão, exigindo juros elevados para conter a demanda.

Alexandre Maluf, economista da XP, comenta que o consumo das famílias perdeu força no segundo trimestre após um início forte, refletindo uma desaceleração gradual da demanda interna em 2026.

Ele ressalta que a renda vem aumentando e que os estímulos do governo continuam apoiando o consumo no curto prazo, mas os juros altos e o endividamento das famílias dificultam atividades que dependem de crédito.

A XP projeta crescimento do PIB de 2% para 2026 e 1% para 2027.

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