O Ibovespa fechou o mês de maio com uma queda acumulada de 7,22%, reduzindo o ganho anual para 7,86%. Em meados de abril, o índice havia alcançado um ponto alto, aproximando-se dos 200 mil pontos, mas desde então o desempenho tem sido negativo, com o índice mostrando queda por sete semanas consecutivas.
Essa queda foi a mais expressiva desde fevereiro de 2023, e reflete uma reversão na movimentação de capitais, especialmente no setor de tecnologia. Mesmo com a força inicial provocada pelo setor de energia e commodities, o Ibovespa tem mostrado maior vulnerabilidade à saída de investimentos estrangeiros.
Enquanto isso, índices americanos como Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq continuaram subindo, marcando novos recordes. O dólar também registrou alta, encerrando maio com valorização de 1,82% em relação ao real.
Bruna Sene, analista da Rico, aponta que a prolongada incerteza nas negociações no Oriente Médio tem gerado incertezas no mercado, com a possibilidade de o conflito se estender por mais tempo.
Além disso, a recente classificação de grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas pelo governo dos EUA tem acrescentado tensões políticas internas, mas ainda sem impacto significativo no mercado cambial.
No cenário doméstico, apesar do crescimento econômico positivo no primeiro trimestre e a resiliência do setor de serviços, o alto nível de incerteza política e as pressões inflacionárias estimuladas pelo mercado de petróleo têm influenciado o comportamento dos juros e a movimentação financeira.
Para Rachel de Sá, estrategista da XP, o mercado ainda experimenta variações relacionadas ao ambiente geopolítico e à política monetária, com a expectativa de que os juros continuem elevados nas próximas reuniões do Copom.
No mercado de câmbio, o dólar mostrou leve alta, influenciado por fatores técnicos e pela dinâmica dos preços do petróleo, que caiu em meio a expectativas de acordo entre EUA e Irã.
O mercado de juros futuros no Brasil apresentou oscilações discretas, com as taxas mostrando certa alta, influenciadas pela resiliência da economia local e pela cautela diante das negociações internacionais.
Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, destaca que o PIB do primeiro trimestre confirmou o crescimento econômico, mas que a dinâmica interna sugere menor espaço para cortes de juros, refletindo-se na curva de juros.
Ultimamente, a curva de juros tem ganhado inclinação devido à combinação de expectativas de corte de juros e aumento dos riscos inflacionários. Esse comportamento indica que o mercado está ajustando suas projeções conforme os dados mais recentes.

