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quarta-feira, 06/05/2026

Hantavírus: doença transmitida por ratos do mato comum no Brasil

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GIULIA PERUZZO
FOLHAPRESS

Um possível surto de hantavírus pode ter causado três mortes e três casos de adoecimento em um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um caso foi confirmado e outros cinco ainda estão sendo investigados. No Brasil, foram registrados 2.377 casos entre 1993 e 2024, com 540 óbitos, segundo o Ministério da Saúde, principalmente em áreas rurais.

O vírus, pertencente ao gênero Orthohantavirus, causa a doença conhecida como hantavirose, que é transmitida por roedores silvestres, ou ratos do mato. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, existem mais de 200 espécies desses roedores, que vivem principalmente em regiões rurais e florestais, o que explica por que 70% dos casos da doença ocorrem na zona rural. Já os ratos das cidades — como ratazana, rato preto e camundongo — estão mais relacionados à transmissão da leptospirose.

De acordo com o pneumologista Carlos Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e diretor da UTI Respiratória e da telemedicina do Instituto do Coração (InCor), o vírus é mais comum em alguns países da América do Sul, especialmente no Brasil.

Ele explica que o vírus é expelido pelos roedores através de mordidas, fezes e urina. Assim, quando alguém varre um local contaminado, o vírus pode se espalhar pelo ar e ser inalado, entrando nas vias respiratórias.

A forma mais frequente da doença nas Américas é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Nos primeiros 3 a 5 dias, a pessoa pode apresentar sintomas como dor de cabeça, febre alta, dores no corpo e sintomas gastrointestinais, semelhantes a um resfriado ou virose comum, incluindo diarreia, náusea, vômito e dor.

Na fase mais grave, chamada cardiopulmonar, os sintomas podem evoluir rapidamente entre 4 e 24 horas, com tosse, dificuldade para respirar, respiração acelerada, pressão baixa, edema nos pulmões e taquicardia. Segundo um relatório da Organização Panamericana de Saúde (Opas), que registrou aumento nos casos na América durante 2025, sintomas específicos da região sul-americana incluem manchas vermelhas na pele, sangue na urina e rubor facial.

Carlos Carvalho ressalta que a infecção pode variar de casos leves até graves, como choque e insuficiência respiratória, exigindo internação em UTI e suporte ventilatório. Ainda não se sabe o que determina a gravidade, podendo ser fatores genéticos ou a quantidade do vírus inalado.

O desmatamento e a expansão urbana em zonas rurais aumentam o contato entre pessoas e roedores, elevando o risco de infecção. Limpar celeiros, estábulos e áreas infestadas por roedores, além de atividades agrícolas e controle de pragas, também são fatores de risco.

Não existe vacina eficaz contra hantavírus nas Américas até o momento. A principal forma de prevenção é evitar o contato com os roedores e suas excreções (urina, fezes e saliva). A Opas recomenda vedar a entrada desses animais em casas e depósitos, guardar alimentos em locais protegidos e manter o ambiente limpo.

Também é aconselhado o uso de armadilhas convencionais para capturar roedores.

Ao limpar áreas possivelmente contaminadas, é importante ventilar o local por pelo menos 30 minutos antes de entrar e desinfetar com água sanitária diluída (uma parte de água sanitária para dez partes de água) ou detergente. Varrer ou usar aspirador pode espalhar os resíduos infectantes. O uso de luvas de borracha ou plástico durante a limpeza é fundamental.

Sobre o surto no navio, Carlos Carvalho observa que alimentos armazenados em porões com roedores infectados também podem ser contaminados. Ele recomenda lavar bem frutas, bebidas em lata e as mãos, pois o vírus pode estar nesses objetos.

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