Brasília, 25 – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira, 25, que o desafio na comunicação da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) foi relacionado ao excesso de informações, e não à falta delas.
Galípolo explicou que ocorreu um mal-entendido devido à tentativa de incluir muitas informações num espaço muito limitado e conciso do comunicado oficial. Ele assumiu a responsabilidade pelo parágrafo que não transmitiu claramente a mensagem desejada.
O comunicado reflete o consenso do colegiado, sem indicar mudanças na política monetária. Galípolo sugeriu que os comunicados futuros sejam mais sucintos, deixando detalhes para a ata das reuniões.
Ele mencionou que a maioria dos participantes do Questionário pré-Copom apoiou o corte da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, e na data da reunião a curva de juros já previa múltiplos cortes.
Segundo o presidente do Banco Central, há uma confusão entre ser claro nos comunicados e anunciar ações futuras. É possível comunicar com clareza sem revelar decisões específicas.
Galípolo destacou duas fontes de críticas ao Copom: uma de quem se opõe a taxas de juros altas e outra comum em períodos de incerteza, quando há demanda por sinais claros sobre futuras decisões do Banco Central.
Ele ressaltou que nenhum Banco Central, nem a literatura, recomenda dar esses sinais em momentos de incerteza, pois isso pode atrapalhar a eficácia da política monetária.
O mercado tem o direito de pedir informações, mas o Banco Central pode optar por não divulgá-las quando considerar inapropriado, pois decisões são tomadas em encontros mensais que permitem coleta e análise de dados.
Copom avaliou risco como óbvio, diz Galípolo
Galípolo comentou que o Copom não destacou explicitamente a assimetria nos riscos para a inflação no último comunicado porque considerou essa característica evidente, já que havia quatro riscos de alta contra três de baixa.
A ata da reunião, divulgada depois, mencionou essa assimetria com clareza. No passado, Galípolo tinha afirmado que contar riscos não bastava para caracterizar essa situação.
Ele explicou que alguns aspectos foram considerados tão claros que os membros do comitê não os citaram diretamente no comunicado.
Na decisão recente, o Copom analisou cenários com pausas e retomadas nos cortes da Selic, simulando diferentes opções para a política monetária ajustar a economia.
Galípolo afirmou que a previsão de que o hiato do produto irá virar negativo no final de 2027 indica que a política monetária restritiva deverá desacelerar a atividade econômica e afetar o crédito progressivamente.
Ele acrescentou que as projeções de inflação também consideram gradualmente os efeitos das medidas fiscais e de crédito do governo, o que ajuda o Banco Central a monitorar os impactos conforme eles acontecem.
Estadão Conteúdo
