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quinta-feira, 09/07/2026

Frio piora alergias e problemas respiratórios

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DANIELLE CASTRO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS)

Com a chegada do frio, muitas pessoas começam a espirrar mais. Embora o frio não seja o único culpado, ele contribui para o agravamento de doenças respiratórias como rinite, sinusite e asma.

Fátima Rodrigues Fernandes, alergista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo, explica que o inverno traz vários fatores que podem piorar esses sintomas.

Fernanda Soubak, alergista e imunologista da rede INKI, destaca que no inverno as pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados e mal ventilados, o que aumenta o contato com alérgenos como ácaros, pelos de animais e mofo acumulado nas roupas de frio guardadas.

Além disso, o tempo seco torna a mucosa nasal mais sensível a irritantes como fumaça e perfumes. Georgiana Hueb, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, lembra que no inverno a umidade do ar cai e a poluição nas cidades tende a aumentar por causa da inversão térmica.

Isso deixa o nariz menos eficiente para filtrar partículas, causando espirros, coriza e obstrução nasal, problemas que pioram com a maior circulação de vírus respiratórios nessa época.

Fernanda Soubak alerta que muitas pessoas confundem alergia com resfriado, e a rinite pode acabar evoluindo para um resfriado comum.

Impactos da rinite

A rinite alérgica não é uma condição simples. Segundo diretrizes médicas brasileiras, entre 10% e 40% da população mundial sofre com o problema. Ele pode afetar a qualidade do sono, causar cansaço constante, prejudicar o desempenho escolar e profissional, e muitas vezes está ligado à asma alérgica.

Diferença entre alergias e infecções

A rinite é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias como poeira, ácaros, pólen e pelos de animais. Os sintomas comuns são espirros contínuos, coceira no nariz, olhos e garganta, obstrução nasal e secreção clara.

Já gripes e resfriados são infecções virais. O resfriado geralmente provoca coriza, congestão nasal e dor de garganta, enquanto a gripe inclui febre, dores no corpo, cansaço intenso e mal-estar. O diagnóstico e tratamento diferem e devem ser acompanhados por um médico.

Cuidado com a higiene nasal e o ambiente

Um tratamento importante para controlar alergias é a lavagem nasal com soro fisiológico, que ajuda a retirar secreções, alérgenos e microrganismos, além de manter a mucosa hidratada, conforme explica Georgiana Hueb.

Para bebês, é recomendada a aplicação com conta-gotas ou seringas adequadas em volumes pequenos, enquanto crianças maiores e adultos podem usar quantidades maiores com irrigação suave para garantir conforto e eficácia.

O controle do ambiente também é fundamental. É importante ventilar bem os ambientes, higienizar roupas de cama com água quente semanalmente e evitar acumular objetos que atraem poeira, como tapetes e cortinas pesadas. Em locais secos, a hidratação da mucosa nasal é essencial, enquanto em regiões litorâneas, o controle do mofo deve receber atenção especial.

Em áreas rurais, a poeira e a terra podem piorar os sintomas das pessoas predispostas, por isso a limpeza frequente de superfícies é recomendada. Fernanda Soubak destaca que passar pano úmido evita o acúmulo de poeira e mofo.

Tratamento e sinais de alerta

Fátima Fernandes afirma que manter a doença controlada durante o ano todo é a melhor forma de evitar crises. Pacientes devem seguir o tratamento prescrito, principalmente o uso de corticosteroides nasais e manter boa hidratação.

Quem sofre de asma deve manter o tratamento regular, pois os dois problemas costumam estar relacionados e o descontrole de um pode agravar o outro.

Grande parte dos casos de rinite pode ser tratada em casa ou em consultas de rotina. Mas algumas situações exigem atendimento imediato, como dificuldade para respirar ou falta de ar intensa.

A vacinação contra gripe deve estar em dia, e a automedicação deve ser evitada para não atrasar diagnósticos importantes, destaca Fernanda Soubak.

Se os sintomas nasais durarem mais de 10 dias, aparecerem com frequência ou prejudicarem o sono e a qualidade de vida, é fundamental procurar um alergista ou otorrinolaringologista.

Procure atendimento emergencial se houver inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta, sintomas típicos de reação alérgica grave. Febre alta persistente com dor facial, inchaço nos olhos ou alterações na visão podem indicar complicações da sinusite e também requerem avaliação imediata.

Fernanda Soubak alerta para sinais graves como chiado no peito, respiração rápida, opressão no peito, dificuldade para falar, lábios arroxeados, sonolência, confusão mental, desmaio, rigidez no pescoço e vômitos repetidos, que indicam a necessidade de buscar ajuda médica urgentemente.

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