FRANCISCO LIMA NETO
FOLHAPRESS
A Justiça de São Paulo decidiu libertar dois homens que estavam presos por suspeita de participação na morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu após ser lançada da ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, durante uma atividade de salto conhecida como rope jump, que foi feita sem o uso de cordas de segurança, no dia 13 de junho.
João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins foram detidos em 20 de junho sob a suspeita de terem envolvimento no desaparecimento da câmera GoPro que Maria Eduarda usava no momento da queda. Depois que a investigação foi concluída, a polícia e o Ministério Público solicitaram a soltura dos dois, que foi aceita pela Justiça.
Ambos deixaram a prisão na quarta-feira, dia 8. Não foi possível identificar os advogados responsáveis pela defesa deles.
Na terça-feira, dia 7, o Ministério Público denunciou quatro pessoas por envolvimento na morte da estudante. Agora, a decisão cabe à Justiça, que definirá se aceita a denúncia e transforma os acusados em réus.
Os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, 27 anos, foram acusados de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Já Evelyne dos Santos Gonçalves foi denunciada por homicídio, omissão imprópria e fraude processual.
Se a Justiça aceitar a acusação de homicídio com dolo eventual, o caso será julgado por um tribunal do júri.
O Ministério Público alega que os três instrutores sabiam dos riscos da atividade, eram responsáveis pela execução do salto e não tomaram os cuidados necessários, como checar as conexões das cordas de segurança e realizar a dupla verificação dos equipamentos.
A denúncia também diz que o grupo não tinha funções definidas claramente, promovia a atividade sem as devidas autorizações legais e dava prioridade aos ganhos financeiros e à divulgação dos saltos nas redes sociais, em vez de garantir a segurança dos participantes.
A defesa de Luis Felipe e Maicon negou as acusações feitas pelo Ministério Público.
“Os denunciados Maicon e Luis Felipe não tiveram intenção de matar a vítima nem assumiram o risco da conduta, agindo sem intenção. A defesa discorda das qualificações da denúncia”, disseram, em nota, os advogados Rafael Gomes dos Santos, Gabriela Cristina Camara e Daniel Ricardo Batista.
A defesa de Vitor informou que fará uma nota após analisar a denúncia.
O Ministério Público ainda acusa Evelyne de ter o dever de garantir a segurança dos participantes e interromper a atividade em caso de riscos, mas não o fez, mesmo sabendo de falhas operacionais anteriores semelhantes.
Quanto à fraude processual, o Ministério Público afirma que Evelyne tentou apagar provas importantes na investigação, ordenando a recuperação da câmera GoPro usada pela vítima e a exclusão de seu conteúdo para dificultar o esclarecimento dos fatos.
Não foi possível identificar o advogado responsável pela defesa de Evelyne.
A Promotoria pediu que a prisão preventiva dos três instrutores seja mantida. Para Evelyne, foi solicitada a conversão da prisão temporária em preventiva, sem prazo para soltura.
