As manhãs frias e o ar seco típicos do inverno no Distrito Federal já começam a afetar a saúde das pessoas. Embora o DF tenha tido menos casos graves de doenças respiratórias comparado ao ano passado, especialistas alertam que a combinação de temperaturas baixas, circulação de vírus e baixa vacinação continua causando mais infecções e internações.
Até a 23ª semana epidemiológica deste ano, entre 7 e 13 de junho, foram registrados 3.460 casos de doenças respiratórias graves no DF, enquanto no mesmo período do ano passado foram 4.771 casos.
Essas doenças incluem vários quadros respiratórios graves e se caracterizam pelo piora de sintomas gripais, como dificuldade para respirar, respiração rápida e baixa oxigenação, que muitas vezes levam à hospitalização.
Mesmo com a queda nos casos, médicos e autoridades de saúde continuam preocupados. Segundo o médico Fabrício da Silva, os principais vírus circulando no inverno são o vírus sincicial respiratório, influenza A e B, e a covid-19.
“O frio facilita a transmissão porque as pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados com pouca circulação de ar. Além disso, o corpo e as vias respiratórias ficam mais vulneráveis com o frio, aumentando o risco de infecções”, explica.
Vacinação abaixo do esperado
Enquanto os vírus estão ativos, a vacinação está longe do ideal. Até maio, foram aplicadas 460.847 doses contra a gripe no DF. Entre crianças, grávidas e idosos, grupos prioritários, a cobertura vacinal foi de apenas 40,21%, longe da meta de 90% do Ministério da Saúde.
Crianças tiveram a menor vacinação, com 30,93%. Idosos atingiram 44% e gestantes 48,27%.
Fabrício destaca que a vacina é a melhor forma de evitar complicações, treinando o sistema imunológico para reagir rapidamente ao vírus.
A assistente administrativa Luiza Marques do Vale, 24 anos, que não se vacinou, teve recentemente uma gripe com dor de garganta e congestão nasal, mas se recuperou em casa em quatro dias. Agora ela tem mais cuidados, como se agasalhar melhor.
O frio piora os casos
Além dos vírus, o clima seco e frio do DF aumenta as doenças respiratórias. O meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet, explica que a umidade do ar está acima do normal nesta época, devido a algumas chuvas isoladas. Normalmente, a umidade fica entre 15% e 25%, o que é prejudicial.
“Quando a umidade chega perto de 15%, há mais poluição no ar, o que agrava as doenças respiratórias. O frio e a seca são especialmente ruins para quem já tem problemas respiratórios”, alerta.
A previsão do tempo indica temperaturas entre 12°C e 24°C nos próximos dias, com possibilidade de chuvas isoladas antes do fim do mês.
Crianças precisam de cuidados especiais
Os efeitos do inverno são mais fortes nos grupos vulneráveis. A enfermeira Cíntia Rodrigues, 36 anos, conta que seu filho com pré-asma piora no frio e na seca, ficando mais propenso a gripes e crises respiratórias.
Em alguns momentos, ele precisou de inalação e observação hospitalar devido à falta de ar. Mesmo vacinado, a família monitora a saúde do menino neste inverno, preocupada com possíveis crises mais graves.
Gripe ou resfriado?
Muitos ainda confundem sintomas de gripe e resfriado. O otorrinolaringologista Gustavo Lara, da Academia Brasileira de Rinologia, explica que a gripe, causada pelo vírus influenza, provoca sintomas mais fortes, como febre alta, dores no corpo e cansaço intenso. Já o resfriado tem sintomas mais leves, como coriza, congestão nasal e espirros.
O médico alerta para sinais que indicam necessidade de avaliação médica, como falta de ar, febre constante, sonolência, desidratação ou piora em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Campanha de prevenção
No dia 28 deste mês, Brasília realizará a etapa local da campanha nacional “Respirar é Viver: um Futuro mais Verde”, organizada pela Academia Brasileira de Rinologia e pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia. O evento acontecerá na Praça do Buriti e tem o objetivo de conscientizar sobre prevenção de doenças respiratórias, qualidade do ar e cuidados para fortalecer a saúde no inverno.
“Entender a diferença entre gripe e resfriado, reconhecer sinais de alerta e adotar hábitos saudáveis são fundamentais para evitar complicações”, destaca Gustavo Lara.
Com a estiagem avançando e os vírus circulando muito, especialistas reforçam a importância de vacinação, hidratação, ambientes ventilados e atenção aos primeiros sintomas para passar pelo inverno com mais saúde.
