As exportações do Brasil para os Estados Unidos diminuíram 14% em maio comparado ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Essa redução tem sido observada desde agosto do ano passado, quando tarifas foram aplicadas pelo governo americano.
Apesar da queda, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, disse que ainda não se pode afirmar que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos mudou de forma definitiva, e que a redução no volume de exportações está desacelerando.
Em maio, as vendas brasileiras para os EUA totalizaram US$ 3,09 bilhões, com redução de 14%, enquanto as importações americanas somaram US$ 3,21 bilhões, queda de 11%, resultando em déficit comercial de US$ 121 milhões.
De janeiro a maio, as exportações somaram US$ 14,01 bilhões, caindo 16%, e as importações foram de US$ 15,48 bilhões, 12,6% a menos, com déficit comercial acumulado de US$ 1,47 bilhão. A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12% para 9,7% entre maio de 2025 e maio deste ano.
Enquanto isso, a China aumentou sua importância como principal cliente do Brasil. Em maio, as exportações para a China cresceram 9,5%, somando US$ 10,5 bilhões, e as importações subiram 24,2%, alcançando US$ 6,8 bilhões, com superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês.
No acumulado do ano, as exportações para a China foram de US$ 43,26 bilhões, crescimento de 21,8%, e as importações somaram US$ 30,76 bilhões, avanço de 4,1%, gerando superávit comercial de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa nas exportações brasileiras aumentou de 32,1% para 32,9%.
Herlon Brandão também comentou que o aumento nas exportações de combustíveis derivados de petróleo está ligado ao conflito no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais. Em maio, as exportações de óleos combustíveis cresceram 75,2% em volume e 49,8% em valor. Já as exportações de petróleo bruto tiveram queda de 9,3% em valor e 42,1% em volume em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Ele afirmou que essa variação é temporária e não está associada ao imposto de exportação criado pelo governo para o petróleo. Segundo Brandão, as empresas continuam produzindo petróleo e fazendo investimentos no setor.
Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil acumulou superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelas exportações para a China e pelo bom desempenho dos setores de energia e commodities.

