O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28/5) que classificará as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Essa decisão faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump para intensificar o combate ao crime organizado internacional e ampliar as sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
As duas facções serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) na próxima sexta-feira, 5 de junho.
Lula defende cooperação
A medida gerou uma tensão diplomática entre Brasília e Washington nas últimas semanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com a possibilidade de os EUA enquadrarem essas facções como grupos terroristas, temendo que isso pudesse abrir espaço para uma atuação militar norte-americana no Brasil.
Durante encontro com Donald Trump na Casa Branca, no começo de maio, Lula apresentou propostas para cooperação bilateral no combate ao crime organizado e convidou os Estados Unidos a participarem de iniciativas brasileiras voltadas para a segurança regional.
“Criamos uma base em Manaus com participação de polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira. Se os Estados Unidos quiserem se juntar a nós, estarão convidados”, afirmou Lula após a reunião.
Polícia da Amazônia e Consenso de Brasília
- Entre as propostas destaca-se o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), conhecido como “Polícia da Amazônia”, situado em Manaus.
- Este centro une forças policiais dos países da Amazônia e da Interpol para atuar contra o tráfico de drogas, armas e crimes transnacionais na região.
- Lula também mencionou o Consenso de Brasília, criado em 2023 para fortalecer a cooperação entre países sul-americanos no combate ao crime organizado, especialmente no sistema penitenciário.
- O grupo busca desenvolver mecanismos para bloquear sinais de celular em presídios e ampliar a troca de informações entre autoridades da América do Sul.
Plano brasileiro contra facções
Outra iniciativa apresentada pelo governo brasileiro é o plano “Brasil contra o crime organizado”, estruturado em quatro pontos principais: combate financeiro às facções, fortalecimento da segurança em presídios, aumento da taxa de resolução de homicídios e repressão ao tráfico de armas.
Apesar da tensão causada pela classificação das facções, Brasil e Estados Unidos já possuem acordos de cooperação na área de segurança pública.
De acordo com a Polícia Federal, centenas de armas provenientes dos EUA são apreendidas mensalmente tentando entrar ilegalmente no Brasil. Os dois países compartilham informações sobre rotas do tráfico internacional de drogas e armas, além de dados de inteligência sobre organizações criminosas que atuam nas Américas.

