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terça-feira, 02/06/2026

Embaixadora da Síria ligada a Assad deve sair do Brasil em breve

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Em Brasília

A embaixadora da Síria no Brasil, Rania Al Haj Ali, deve deixar seu cargo nos próximos meses. Ela assumiu a função em Brasília em 2022, indicada pelo ex-presidente sírio Bashar al-Assad, que foi deposto em dezembro de 2024.

Fontes diplomáticas confirmaram a saída de Rania ao Metrópoles. Apesar da queda do governo de Assad, a embaixada síria no Brasil ainda é dirigida por membros do antigo regime. Espera-se que, após a saída de Rania, o cargo seja ocupado temporariamente por um encarregado de negócios até a nomeação de um novo embaixador.

Histórico do governo Assad na Síria

  • Bashar al-Assad esteve no poder entre 2000 e 2024, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad.
  • Em 2011, protestos contra seu governo desencadearam uma guerra civil.
  • O governo foi acusado de usar armas químicas contra manifestantes.
  • Após uma ofensiva do grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS), Assad foi deposto em 2024.
  • O grupo HTS, liderado por Ahmed al-Sharaa, que agora é presidente interino da Síria, adotou posição mais moderada e prometeu um governo mais inclusivo.

Primeira mulher na embaixada e questões jurídicas

Rania Al Haj Ali foi a primeira mulher a comandar a embaixada da Síria no Brasil. Antes, atuou na ONU, na Suíça, e na embaixada síria em Tóquio, Japão.

A saída de Rania ocorre em meio a disputas judiciais movidas por ex-funcionários brasileiros contra a embaixada. Eles reivindicam direitos trabalhistas e denunciam más condições de trabalho, incluindo desvio de funções e falta de vínculo formal.

Um caso grave envolve um ex-motorista chamado José*, que trabalhou por oito anos na embaixada. Após sua demissão em 2023, alegando comportamentos inadequados pela embaixada, José enfrentou dificuldades profissionais e entrou em depressão, vindo a falecer em 2025 antes do fim do processo judicial.

Decisões judiciais

A Justiça do Trabalho ordenou que a embaixada reconhecesse o vínculo empregatício com José, registrando-o na carteira de trabalho e efetuando pagamentos devidos. No entanto, a embaixada recorreu da decisão.

Outros dois ex-funcionários, incluindo uma ex-empregada doméstica e um ex-porteiro, também receberam decisões favoráveis, embora ainda sem o pagamento de indenizações. No caso do porteiro, a decisão já transitou em julgado no Tribunal Superior do Trabalho, mas os pagamentos não foram efetuados até agora.

As ações judiciais expõem um ambiente de trabalho tenso, que teria se agravado com a gestão de Rania Al Haj Ali.

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