GIULIA PERUZZO
FOLHAPRESS
A partir desta terça-feira (2), está proibido usar PMMA (polimetilmetacrilato) como preenchimento em procedimentos estéticos ou médicos em todo o Brasil. O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou essa proibição na última sexta-feira (29). O uso do PMMA passa a ser considerado uma infração ética, exceto para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids em clínicas especializadas do SUS.
José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM, afirmou em entrevista que estão trabalhando com a Anvisa para retirar o PMMA do mercado devido aos riscos que ele oferece para a saúde das pessoas. Essa medida é vista como fundamental para proteger a população.
O CFM quer que a Anvisa também retire o PMMA das prateleiras, porque os perigos do produto são maiores que os benefícios. A única exceção é para o tratamento especial de lipodistrofia, um problema causado pelo uso de certos medicamentos em pacientes com HIV/Aids. Nesse caso, o uso do PMMA é permitido apenas em unidades do SUS que seguem regras rígidas do Ministério da Saúde.
A conselheira Graziela Bonin explicou que essa exceção existe para garantir a continuidade do tratamento, já que não há outras opções disponíveis no sistema público.
A Resolução nº 2.461/2026, criada por Graziela Bonin, é uma resposta a um problema conhecido na medicina há muitos anos. O PMMA pode causar complicações graves, mesmo quando aplicado por profissionais experientes.
Sociedades médicas de dermatologia e cirurgia plástica prepararam um dossiê que mostra os muitos problemas causados pelo PMMA, incluindo infecções crônicas. O maior perigo do PMMA é que ele dura para sempre no corpo e não existe antídoto para removê-lo.
O PMMA é um plástico sintético que, quando injetado, permanece no corpo indefinidamente e pode causar reações meses ou anos depois do procedimento. Pode migrar para outras partes do corpo, formando nódulos inflamados e até causar problemas nos rins.
Alguns pacientes sofreram danos graves, como perda de parte do lábio, deformidades no nariz e no rosto. Se o PMMA entrar em um vaso sanguíneo, pode causar bloqueios que levam à morte dos tecidos, cegueira, derrame cerebral ou até a morte.
Um caso relatado envolve uma paciente que fez preenchimento de glúteos em um salão de beleza e acabou desenvolvendo feridas graves, infecções musculares e problemas renais sérios, exigindo tratamento intensivo e cirurgias.
O dossiê critica a atuação de profissionais que não são médicos, como dentistas, biomédicos e enfermeiros, que realizam esses procedimentos sem o conhecimento e estrutura necessários para lidar com emergências.
O CFM reforça que a decisão vale só para médicos. A Anvisa ainda permite a venda do PMMA, afirmando que o produto é seguro quando usado conforme indicado e com cuidado.
Para o CFM, essa diferenciação gera problemas, pois muitos procedimentos são feitos por pessoas sem formação médica. A conselheira Graziela Bonin explicou que a Anvisa permite o uso médico, e que a resolução do CFM pode ajudar a regulamentar melhor essa situação.
No último dia 27, a Folha de S.Paulo noticiou a morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, após receber 300 ml de PMMA nos glúteos e coxas. Ela teve dores, fraqueza e dificuldade para respirar logo depois, chegando desacordada à clínica onde faleceu.

