Nesta segunda-feira, 1º de junho, o governo do Reino Unido liberou uma série de documentos que incluem centenas de páginas relacionadas ao ex-embaixador britânico em Washington, Peter Mandelson, de 72 anos. Essas informações vieram à tona após a revelação, no ano passado, sobre a ligação dele com Jeffrey Epstein, um financista conhecido por abusar sexualmente de menores e que faleceu em 2019.
Peter Mandelson foi indicado para um importante cargo diplomático pelo primeiro-ministro Keir Starmer em fevereiro de 2025. Porém, após o surgimento de e-mails que mostram sua amizade próxima e antiga com Epstein, Starmer decidiu demiti-lo nove meses depois da nomeação.
Além do impacto na imagem do primeiro-ministro, as mensagens e e-mails entre Mandelson, ministros e assessores mostram que o governo estava ciente da ligação do ex-embaixador com Epstein, o que poderia trazer riscos à reputação governamental.
Antes da nomeação, uma nota enviada por Mandelson ao então ministro das Relações Exteriores, David Lammy, reforçava sua confiança no cargo e afirmava que o governo não se arrependeria dessa escolha.
Em fevereiro deste ano, Mandelson foi detido sob suspeita de ter passado informações confidenciais ao financista durante a década de 1990, quando era ministro. Ele foi liberado, mas a investigação continua, incluindo a análise dos documentos recentemente divulgados, alguns dos quais permanecem secretos a pedido da polícia, como o relatório de verificação de segurança feito antes da posse de Mandelson como embaixador.
Em março, após a primeira divulgação de arquivos relacionados a Mandelson e Epstein, Starmer afirmou publicamente que o ex-embaixador mentiu sobre a amizade entre eles e negou ter sido informado sobre aspectos da autorização de segurança.
Outras mensagens
Nas mensagens restantes, Mandelson criticava o governo dos Estados Unidos e expressava sua opinião sobre Keir Starmer. Por exemplo, disse ao ministro David Lammy que representar os interesses britânicos durante a administração Trump exigiria habilidade, sorte e trabalho intenso.
Em uma mensagem ao ministro sênior do gabinete, Pat McFadden, afirmou que as dificuldades do governo atual vinham “de cima” e que Keir Starmer e o gabinete precisavam de mais pessoas capacitadas para executar suas funções.
Em um memorando direcionado a Starmer, comentou que o então presidente Donald Trump trouxe uma nova marca para a Casa Branca, destacando que o lema “América em primeiro lugar” guiava seu governo, o que traria mudanças significativas na política internacional e nacional nos próximos anos.

