Startups, pesquisadores e empresas que trabalham com tecnologia na saúde agora possuem um novo guia para ajudar a levar inovações ao Sistema Único de Saúde (SUS). Criado pelo Ministério da Saúde, o guia chamado “Acesso e Inovação de Dispositivos Médicos ao SUS” oferece informações sobre regras, uso de novas tecnologias, financiamento e desenvolvimento de dispositivos médicos para uso na saúde pública.
Esse guia foi lançado na Feira Hospitalar 2026, um dos maiores eventos de saúde na América Latina. Durante o evento, o Ministério da Saúde discutiu sobre a importância de produzir equipamentos de saúde no Brasil e a colaboração entre governo, indústria, centros de pesquisa e empresas de tecnologia.
Igor Bueno, diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, parte da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do ministério, explicou que o guia foi feito para facilitar a entrada de startups e pequenas empresas no mercado público de saúde. Ele destacou que o documento reúne em um só lugar todas as etapas, desde o apoio à pesquisa e desenvolvimento até o uso dessas tecnologias no SUS.
Os dispositivos médicos são usados diariamente nos serviços de saúde e vão desde produtos simples, como curativos, até equipamentos avançados, como marca-passos e cirurgias com robôs. Existem mais de 2 milhões de tipos diferentes desses dispositivos no mundo, usados para prevenir, diagnosticar, tratar e acompanhar doenças.
O guia destaca que o mercado brasileiro de dispositivos cresce mais rápido que a média mundial, mas o país ainda importa muitos equipamentos e materiais complexos. A maior parte da produção nacional é de produtos com tecnologia média ou baixa.
Entre os desafios do setor estão os altos custos para inovar, a dependência de tecnologia estrangeira e a necessidade de melhor integração entre pesquisa, política industrial e as demandas do sistema público de saúde. Em 2024, a indústria de dispositivos médicos criou quase 6 mil empregos diretos, chegando a mais de 85 mil empregos no país.
O Ministério da Saúde está trabalhando para fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), que inclui setores produtivos, tecnológicos e serviços. O objetivo é estimular o mercado nacional, diminuir a dependência de importações, ampliar o acesso a tecnologias seguras e usar melhor os recursos públicos.
Para que uma tecnologia seja financiada e usada amplamente pelo SUS, ela precisa cumprir critérios técnicos, científicos, regulatórios e econômicos, conforme destaca o guia.

