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sexta-feira, 26/06/2026

Dólar cai e Bolsa sobe com atenção à inflação e Banco Central

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FOLHAPRESS

O dólar caiu nesta quinta-feira (25), enquanto os investidores analisam novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos.

O Banco Central também está no foco, depois de divulgar projeções econômicas atualizadas no Relatório de Política Monetária. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, deu declarações importantes sobre o cenário.

Às 14h21, o dólar caiu 0,43%, sendo negociado a R$ 5,177. A Bolsa apresentou forte alta de 1,05%, alcançando 172.304 pontos, com destaque para as empresas Braskem e Americanas.

Segundo o IBGE, a inflação medida pelo IPCA-15 (uma prévia da inflação oficial) desacelerou para 0,41% em junho, contra 0,62% em maio. Esse índice ficou abaixo da expectativa do mercado, que era 0,44%, porém representa o maior valor para junho em quatro anos.

No acumulado do ano, a inflação do IPCA-15 subiu para 4,8% até junho, vindo de 4,64% em maio. O grupo de alimentação e bebidas teve aumento menor, mas segue sendo o principal responsável pela pressão inflacionária. A alta na conta de luz também foi um fator importante.

O economista sênior do Inter, André Valério, comentou que esses números indicam que a inflação está voltando ao normal após os impactos do aumento dos preços causado pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os custos de combustíveis e alimentos globalmente.

“Com a redução da inflação dos combustíveis e o começo da queda na inflação dos alimentos, esperamos que essa normalização continue nas próximas pesquisas, o que é fundamental para ajustes na taxa Selic. No entanto, o cenário ainda é incerto,” afirmou.

Ele mencionou fatores que podem influenciar a inflação, como o fenômeno climático El Niño, que pode pressionar os preços dos alimentos no final do ano, e a variação do câmbio próximo a R$ 5,20.

“Apesar disso, a guerra não foi suficiente para reativar a inflação. Esperamos um novo corte na Selic em agosto e cautela na política monetária, com decisões avaliadas reunião a reunião,” completou.

Na semana passada, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, decisão que causou dúvidas no mercado. O Comitê de Política Monetária (Copom) estendeu o prazo para alcançar a meta de inflação de 3% para o primeiro trimestre de 2028.

Para muitos especialistas, o discurso do BC mostrou certa tolerância com a inflação. Gabriel Galípolo admitiu que o comunicado do corte poderia ter sido mais claro, mas negou falta de transparência.

“A crítica foi por tentar explicar demais, não por esconder informações,” disse. Ele ressaltou que nenhum banco central divulga suas futuras decisões com antecedência e que o BC manterá esse posicionamento para preservar a estratégia diante da incerteza.

O diretor de Política Monetária, Paulo Pichetti, afirmou que mesmo aumentando a Selic drasticamente, não resolveria impactos externos, como o estreito de Hormuz ou o El Niño, e que reagir imediatamente a choques causaria volatilidade no mercado.

As taxas dos juros futuros de curto e médio prazo caíram pelo terceiro dia consecutivo. A taxa para janeiro de 2028 ficou em 14,21%, queda de 0,1 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 subiu levemente para 14,24%.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor preferido pelo Fed, o PCE, subiu 4,1% nos 12 meses até maio, maior alta desde abril de 2023. Isso fez o mercado revisar as expectativas para a política monetária americana, esperando que o Fed mantenha os juros estáveis na próxima reunião e aumente em setembro.

O Fed ainda não alcançou sua meta de inflação de 2%, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que isso será cumprido.

Analistas veem essa meta como um sinal de que aumentos nos juros ainda podem ocorrer para controlar a inflação, o que é uma notícia negativa para investimentos em mercados emergentes, pois aumenta o atrativo da renda fixa americana, considerada de baixo risco.

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