A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% nos primeiros três meses do ano, um aumento de 1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, que fechou com 5,1%. Essa informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
Apesar do aumento em comparação ao trimestre passado, essa ainda é a menor taxa registrada para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica em 2012.
O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, representando um aumento de 19,6% no trimestre, o que significa 1,1 milhão de pessoas a mais procurando emprego. No entanto, na comparação anual, o contingente de pessoas buscando trabalho diminuiu 13%, cerca de 980 mil a menos.
O total de trabalhadores ativos no país caiu 1%, uma redução de 1 milhão de pessoas, somando 102 milhões de empregados. Já em relação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 1,5% no número de trabalhadores.
Setores afetados
Em comparação ao trimestre encerrado em dezembro do ano passado, não houve aumento no número de empregados em nenhum dos dez grupos de atividade analisados pelo IBGE. Pelo contrário, três setores apresentaram quedas:
- Comércio, com diminuição de 1,5%, ou 287 mil pessoas a menos;
- Administração pública, com queda de 2,3%, equivalente a 439 mil pessoas;
- Serviços domésticos, redução de 2,6%, ou 148 mil pessoas.
Esses três setores juntos perderam mais de 870 mil empregos no período.
Por outro lado, dois setores mostraram crescimento no número de empregados em relação ao mesmo período do ano anterior:
- Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, com alta de 3,2%, ou 406 mil pessoas a mais;
- Administração pública, com crescimento de 4,8%, equivalente a 860 mil pessoas.
Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, explicou que a redução nos trabalhadores está ligada a comportamentos típicos desses setores, como o recuo no comércio nessa época do ano e o término de contratos temporários nas áreas de Educação e Saúde no setor público municipal.
Informalidade
A taxa de informalidade ficou em 37,3%, representando 38,1 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. Essa taxa foi ligeiramente menor que a do trimestre anterior, que foi de 37,6%.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou estável em 39,2 milhões, com um aumento de 1,3% em relação ao ano anterior. Já o número de empregados sem carteira no setor privado caiu 2,1%, totalizando 13,3 milhões. O número de trabalhadores por conta própria permaneceu em 26 milhões.
De acordo com uma analista do IBGE, a queda no número de trabalhadores informais aconteceu devido à redução dos empregados sem carteira no setor privado e dos trabalhadores por conta própria sem CNPJ.
Rendimentos
A massa de rendimento médio real alcançou R$ 374,8 bilhões no trimestre encerrado em março, mantendo-se estável no período e apresentando alta de 7,1% em relação ao ano anterior.
O rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 3.722, um crescimento de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já descontada a inflação. Em relação ao trimestre anterior, dois setores apresentaram aumento no rendimento médio: comércio, com alta de 3,0%, e administração pública, com aumento de 2,5%.
