O presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, anunciou nesta quinta-feira (23/4) um prejuízo de R$ 8,5 bilhões para a estatal no ano de 2025.
Apesar da receita bruta de R$ 17,3 bilhões no último ano, a empresa registrou um déficit de R$ 6,4 bilhões apenas com processos judiciais, segundo explicou Rondon.
Ele comentou que a queda na receita, aliada ao aumento das provisões para passivos judiciais, impactou fortemente nas finanças. Além disso, destacou que as despesas permanecem altas e rígidas, o que dificulta a redução dos custos diante do menor faturamento.
O patrimônio líquido da companhia terminou 2025 negativo em R$ 13,1 bilhões.
A forte concorrência de novas empresas de logística também afetou os resultados financeiros da estatal.
Plano de Demissão Voluntária
O Plano de Demissão Voluntária (PDV), previsto na reestruturação, esperava a saída de 10 mil funcionários, mas atingiu apenas 30% dessa meta, equivalente a cerca de 3 mil adesões.
Rondon destacou que essa taxa não foi baixa se comparada ao PDV de 2024, mas indicou que a estatal pode lançar um novo programa para melhorar seus resultados.
Número de desligamentos:
- 2024: 3.756
- 2025: 3.181
Os desligamentos de 2024 geraram uma economia de R$ 147,1 milhões em 2025, enquanto a previsão para 2026 é de uma economia de R$ 775,7 milhões.
Contexto e perspectivas
Nos últimos anos, a empresa tem enfrentado queda em receitas tradicionais, aumento de custos operacionais e desafios na logística.
Embora o crescimento do comércio eletrônico tenha ajudado a aumentar a demanda, esses ganhos não foram suficientes para compensar problemas estruturais, falta de investimentos e o avanço da concorrência privada.
O plano de reestruturação anunciado no fim de 2025 está dividido em três etapas. A primeira busca recuperar a liquidez da empresa por meio de um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco instituições financeiras.
A segunda etapa, prevista para 2026 e 2027, inclui reorganização e modernização, com ações como PDV de 10 mil funcionários, fechamento de cerca de mil unidades, revisão dos cargos de média e alta remuneração e ajustes nos planos de saúde e previdência.
A terceira fase, que também ocorrerá em 2027, será dedicada à modernização e implantação de um modelo de negócios focado em inovação, parcerias e novas fontes de receita.
