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Com avanços na medicina, pessoas com Síndrome de Down já chegam à 3ª idade

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Expectativa de vida de pessoas com Down deve se equiparar a médio prazo com a da população normal, que é de 76 anos no Brasil

Síndrome de Down: com advento das cirurgias cardíacas, vacinação, diagnóstico e inclusão, houve um aumento da expectativa de vida para em torno dos 65 anos (Barcroft Media/Getty Images)

São Paulo — Quando Isabel Bacicurinski nasceu, no início da década de 1970, a expectativa de vida de uma pessoa com síndrome de Down era de cerca de 20 anos. Hoje, aos 48 anos, ela tem a real possibilidade de chegar à terceira idade. Estudos internacionais apontam que, nos últimos 40 anos, a expectativa de vida para essas pessoas cresceu ao menos 3,75 vezes e deve, no futuro, se igualar à da população em geral. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer é de 76 anos.

Vários fatores contribuíram para o aumento da longevidade das pessoas com síndrome de Down. “Na década de 1920, a expectativa de vida era em torno de 9 anos. Com o advento das cirurgias cardíacas, vacinação, diagnóstico e inclusão, houve um aumento da expectativa de vida para em torno dos 65 anos. Um estudo mostrou um paciente com 77 anos”, diz a geriatra Ana Thereza Schneider, integrante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

No passado, apenas os pediatras faziam o atendimento dos pacientes com a síndrome e, durante muitos anos, a longevidade não foi um tema abordado com os pais de crianças com Down. Agora, os geriatras estão sendo cada vez mais procurados por essa população e há projetos que focam o envelhecimento saudável de pessoas com síndrome de Down.

É o caso de um grupo de 60 membros da Associação para Profissionalização, Orientação, Integração do Excepcional (Apoie), que, desde março, está sendo acompanhado por um geriatra em uma iniciativa do Projeto Serendipidade, ONG com foco em inclusão.

Eles praticam atividades físicas, recebem orientações para ter uma alimentação saudável e fazem exames para acompanhamento de doenças crônicas. O objetivo da iniciativa, segundo o leiloeiro Henri Zylberstajn, de 39 anos, fundador do Projeto Serendipidade não é apenas oferecer qualidade de vida para os adultos, mas obter informações sobre o envelhecimento deles e utilizá-las em pesquisas sobre o tema no futuro.

O projeto-piloto deve durar um ano. “Queremos conversar com profissionais em formação para mostrar que existem caminhos e uma necessidade de mercado. Com o envelhecimento precoce e a longevidade dessa população, isso se faz necessário”, diz.

Segundo parentes de pessoas com a síndrome, a longevidade não era uma questão central. “Minha filha nasceu cardiopata e a gente tinha de cuidar do coração, levar para a fisioterapia e terapia ocupacional. Tudo o que me indicaram, fui fazer. A questão da longevidade ficou mais para a frente”, lembra a professora aposentada Maria Lúcia da Silva, de 61 anos, mãe de Maria Elisa do Lago, de 32. Segundo Maria Lúcia, a filha gosta de dançar e fazer atividades físicas. Também canta e é uma pessoa sociável. “Ela tem qualidade de vida muito maior do que outras pessoas. Acredito que Maria Elisa vai longe.”

Possibilidades

Geriatra do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital das Clínicas de São Paulo, Marcelo Altona está fazendo o monitoramento do grupo atendido pelo projeto. “Estamos assistindo ao envelhecimento das pessoas com a síndrome de Down e isso acende uma lâmpada de possibilidades. Nosso objetivo é oferecer um melhor envelhecimento e acabar com a crença de que não é possível alcançar benefícios.”

Segundo ele, sintomas da velhice que costumam aparecer após os 50 anos na população geral, como a perda de massa muscular e de memória, podem começar a surgir a partir dos 20 anos em quem tem a síndrome. “Nosso objetivo é desenvolver uma massa crítica para formar os familiares para a busca da qualidade de vida, bons hábitos de alimentação, atividade física e controle de doenças crônicas que podem surgir durante o envelhecimento. Fazer o mesmo cuidado que temos com os idosos típicos”, explica Altona.

Os participantes também estão realizando exames para monitorar condições de saúde. “Todo o nosso arsenal diagnóstico está disponível, como exames de ressonância e tomografia. A causa nos sensibilizou porque tem relação com inclusão social e melhorar a vida das pessoas”, diz Charles Ghelfond, diretor-presidente do Ghelfond Medicina Diagnóstica.

Apoio familiar

O engenheiro Bernardo Bacicurinski, de 62 anos, acompanhou as conquistas da irmã Isabel em um período em que as pessoas não acreditavam no potencial de quem tem síndrome de Down. “Na época acreditava-se que não tinha expectativa de nada e é um pensamento errado, porque eles têm capacidade de aprender e fazem atividades com dedicação e responsabilidade”, diz o engenheiro. “Minha irmã cuida das coisas dela, senta para jantar comigo, comenta coisas que viu na TV e as notícias que escuta. Tem uma visão de vida muito grande.”

A costureira Shirley Descrove, de 66 anos, nunca se preocupou com as questões relacionadas ao envelhecimento da filha Marina Descrove de Oliveira, de 33 anos, que também tem a síndrome. “Foquei mais em cuidar dela, mas é importante para a gente ficar sabendo como cuidar disso. A família não está preparada”, diz Shirley.

Alguns pacientes apresentam sinais de envelhecimento precoce nessa faixa etária. Segundo Shirley, Marina faz todas as suas atividades com disposição. “Ela não pode fazer movimentos bruscos, mas adora dançar, gosta muito de academia. Lá, só queria fazer zumba. Faz colchas. Só o rosto dela está começando a ficar enrugadinho.”

Presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Antonio Carlos Sestaro diz que a população com a trissomia do 21 é de 350 mil a 400 mil pessoas no País. O IBGE não tem dados sobre esse grupo. Ele diz que o atendimento especializado ao longo do envelhecimento é fundamental. “Nossa preocupação maior com a longevidade é o Alzheimer. Estamos acompanhando pesquisas no mundo e quase 50% das pessoas com síndrome de Down podem desenvolver o Alzheimer com mais de 50 anos.”

Para a assistente social voluntária da Apoie Sonia Monken, o projeto focado no envelhecimento é importante não só para os pacientes, mas para a família. “O grande problema hoje é com relação a imaginar que essa pessoa está envelhecendo em um grupo que está muito velho, como os pais dela. Quando a gente trabalha com longevidade, trabalha no paciente e na família

 

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Poluição do ar está ligada a abortos espontâneos na China, diz estudo

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Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero

China: Os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde (Jing Xuan TENG/AFP)

A exposição a poluentes transportados pelo ar na China aumenta o risco de abortos espontâneos não percebidos, nos quais o feto morre sem que a mulher grávida sinta nenhum sintoma perceptível, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

Estudos anteriores mostraram uma correlação entre poluição do ar e complicações na gravidez, mas a nova pesquisa – publicada na revista Nature Sustainability por uma equipe de pesquisadores de universidades chinesas – lança luz sobre um impacto pouco estudado da poluição.

O estudo constatou que a exposição a concentrações mais altas de material particulado no ar, bem como dióxido de enxofre, ozônio e monóxido de carbono, foi associada a um maior risco de aborto espontâneo não percebido no primeiro trimestre de gravidez.

Além disso, “o aumento do risco não é linear, mas se torna mais grave quanto maior a concentração de poluentes”, afirmou o estudo.

Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero, e normalmente são detectados durante exames de rotina de ultrassom semanas depois.

Pesquisadores de quatro universidades e da Academia Chinesa de Ciências acompanharam a gravidez de mais de 250.000 mulheres em Pequim de 2009 a 2017, entre elas 17.497 que sofreram abortos.

Os pesquisadores usaram medições de estações de monitoramento do ar próximas às casas e locais de trabalho das mulheres para medir a exposição dos sujeitos à poluição.

“A China é uma sociedade em envelhecimento e nosso estudo fornece uma motivação adicional para o país reduzir a poluição do ar ambiente, a fim de aumentar a taxa de natalidade”, disseram os autores do artigo.

Embora o estudo mostre uma ligação quantitativa entre poluição e abortos espontâneos não percebidos, confirmar uma ligação causal exigiria experimentação de laboratório eticamente carregada em embriões humanos, disse Shaun Brennecke, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Melbourne, que não participou do estudo.

Os autores do artigo “tiveram a vantagem de basear o estudo em Pequim, que teve ao longo do estudo uma ampla gama de níveis de poluição e onde os níveis diminuíram com o tempo”, disse Brennecke à AFP.

Os autores do estudo não responderam ao pedido de comentário da AFP.

Os níveis de poluição do ar na capital da China caíram significativamente nos últimos anos, apesar das leituras de poluição diferirem drasticamente de dia para dia e entre partes da cidade.

Mas os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

A leitura média de PM2,5 por hora da cidade foi de 42,6 microgramas por metro cúbico de ar nos primeiros oito meses de 2019, de acordo com a AirVisual, o braço de pesquisa da empresa de tecnologia de purificação de ar suíça IQAir.

As descobertas do estudo são “consistentes com outros estudos sobre poluição do ar e aborto espontâneo, e também com outros estudos que documentam associações significativas entre poluentes do ar e parto prematuro”, ddise à AFP Frederica Perera, professora de saúde pública da Universidade de Columbia, que não participou do estudo.

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Entenda a descoberta sobre baterias que venceu o prêmio Nobel de Química

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Criadores da bateria de lítio vencem Prêmio Nobel de Química em 2019

Nobel: vencedores do Prêmio de Química deste ano são os desenvolvedores da bateria de lítio (Johan Jarnestad/Academia Real das Ciências da Suécia/Reprodução)

São Paulo – Se hoje podemos utilizar os celulares e outros aparelhos eletrônicos portáteis o dia inteiro, é graças aos cientistas John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino – que receberam o prêmio Nobel de Química de 2019 pela criação das baterias de íons de lítio. Quando os pesquisadores começaram a desenvolver a bateria, na década de 1970, eles optaram pelo uso do lítio exatamente pela reatividade do metal – porém, após alguns testes, perceberam que teriam que estabilizar o material para evitar possíveis explosões ao recarregarem a bateria.

Por isso, os pesquisadores decidiram trocar o ânodo – que é o polo negativo – por outro elemento. Foi John Goodenough quem teve a ideia de utilizar os íons positivos do lítio para constituir a bateria, o que acarretaria em cerca de 4 volts de potencial.

Assim que começaram a utilizar o cátodo – polo positivo – do metal lítio sugerido por Goodenough, foi Akira Yoshino que conseguiu desenvolver a primeira bateria que poderia ser comercializada, a partir de um material feito de carbono que conseguiria armazenar os íons positivos do lítio. Nesse momento, em 1985, os cientistas estavam deixando de utilizar titânio na constituição das baterias.

 

Quando testaram a bateria desenvolvida por Yoshino, os cientistas perceberam que a bateria poderia ser recarregada cerca de 100 vezes seguidas sem que começasse a falhar. Uma das maiores vantagens desse tipo de bateria é que suas reações químicas não se atrapalham, portanto, a chande de ocorrer uma espécie de choque interno é pouca, deixando-as mais duráveis.

A potência e durabilidade são fatores que tornaram essas baterias extremamente importantes para a vida moderna, pelo fato de conseguirem garantir energia para aparelhos eletrônicos – smartphones, videogames portáteis, entre outros – durante um dia inteiro ou até mais. Confira, abaixo, uma representação em inglês postada pelo Twitter oficial do Prêmio Nobel sobre o funcionamento das baterias:

 

Os vencedores do Nobel de Química repartirão, entre em si, um prêmio de cerca de R$ 3,7 milhões de reais.

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Revelado mistério das caixas que apareceram nas praias brasileiras

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Descoberta, feita durante pesquisa sobre derramamento de óleo no Nordeste, elucidou mistério que começou há um ano

Cargueiro transportava principalmente fardos de borracha bruta. (THYRONE/Getty Images)

Fortaleza – Enquanto tentavam decifrar as causas do derramamento de óleo no Nordeste, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará descobriram que centenas de caixas de borracha, que começaram a aparecer misteriosamente nas praias brasileiras há um ano, pertenciam a um navio alemão abatido em 1944.

O navio foi torpedeado por tropas americanas perto do Recife, em janeiro daquele ano, durante a 2.ª Guerra Mundial. Os pesquisadores identificaram inscrições em alemão na placa metálica de uma das caixas. Foi a partir daí que uma pesquisa histórica elucidou o enigma.

“Conseguimos identificar um cargueiro, chamado Rio Grande, em um banco de dados americano sobre naufrágios no Atlântico Sul durante a 2.ª Guerra. Esse cargueiro transportava principalmente fardos de borracha bruta”, disse o oceanógrafo físico Carlos Teixeira.

Para confirmar a hipótese, pesquisadores fizeram uma simulação numérica computadorizada, em que são liberadas partículas no lugar do naufrágio. O resultado mostra que elas chegam exatamente ao litoral nordestino. Qualquer relação dos fardos com as manchas de petróleo está descartada.

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