O Ministério da Saúde confirmou que três casos graves investigados após a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan ocorreram em profissionais da atenção primária à saúde. Dois desses casos resultaram em morte.
O órgão anunciou a suspensão temporária e preventiva da vacinação com o imunizante a partir do dia 9 de junho, enquanto investiga a relação entre os eventos adversos e a vacina.
Cerca de 500 mil doses da vacina foram aplicadas em todo o país. Durante esse período, foram notificados 42 casos graves que podem estar associados à vacina do Butantan.
Descrição dos casos graves
O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela evoluiu para dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI), mas já recebeu alta hospitalar.
O segundo caso foi o de uma mulher de 48 anos que morreu, apresentando sintomas de dengue grave com comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação.
O terceiro caso, também fatal, ocorreu com um homem de 58 anos que desenvolveu febre cinco dias após receber a vacina e rapidamente evoluiu para dengue grave com choque refratário.
Vacina do Butantan
A vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira no mundo com esquema de dose única. A campanha de vacinação teve início neste ano, priorizando profissionais da saúde.
Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento. Isso visa monitorar possíveis efeitos adversos e garantir atendimento médico adequado caso surjam sintomas após a imunização.
Sintomas que devem ser observados:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência intensa;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
A vacina estava sendo aplicada em campanhas de imunização em massa em estados como Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, nas cidades de Nova Lima (MG), Maranguape (CE), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO). Segundo o Ministério da Saúde, os casos graves não foram registrados nessas localidades.

