LAIZ MENEZES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que 80% dos brasileiros entendem que sangue nas fezes e mudanças nos hábitos intestinais por mais de um mês são sinais importantes de alerta para o câncer colorretal. Contudo, apenas 67% conhecem o exame de sangue oculto nas fezes, que serve para detectar o câncer precocemente.
Os resultados foram divulgados em 20 de julho de 2026, data que marca um ano da morte da cantora Preta Gil. Ela divulgou publicamente seu diagnóstico e tratamento do câncer colorretal em 2023 e faleceu em 2025 nos Estados Unidos devido a complicações da doença.
O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, é o terceiro tipo com mais casos no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de próstata nos homens e do câncer de mama nas mulheres, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Estima-se que entre 2026 e 2028 surgirão cerca de 53.810 novos casos ao ano, um aumento de 18% em relação ao período anterior.
A pesquisa entrevistou 2.015 pessoas de 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança.
Os especialistas apontam que o maior desafio não é só fazer com que a população reconheça os sintomas, mas também aumentar o conhecimento sobre os exames que ajudam a detectar a doença cedo e estimular a busca por ajuda médica diante dos primeiros sinais.
Os sintomas principais do câncer colorretal incluem sangue nas fezes, mudança constante no hábito de ir ao banheiro, alteração no formato das fezes, dor na barriga frequente e perda de peso sem explicação.
De acordo com o oncologista vice-líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo, Virgílio Souza, esses sinais devem ser avaliados em qualquer idade.
“Os sintomas não indicam necessariamente câncer de intestino, mas é fundamental que o paciente procure um médico para investigar. O sangramento pode ser causado por condições benignas, como hemorroidas, pólipos ou inflamações, mas também pode indicar câncer”, alerta.
Muitos brasileiros ainda demoram para buscar atendimento, embora reconheçam a gravidade dos sintomas. Entre quem notou sangue nas fezes, somente 59% procuraram um médico imediatamente; 36% esperaram, tentaram remédios caseiros ou não fizeram nada.
Souza ressalta que adiar a consulta pode fazer o paciente perder a chance do diagnóstico precoce, que é crucial, pois quando detectado no início, a chance de cura é superior a 90%.
Segundo a American Cancer Society, a taxa de sobrevivência após cinco anos é de 91% quando o câncer colorretal é diagnosticado cedo, e cai para 15% quando descoberto já em estado avançado.
A oncologista especialista em tumores gastrointestinais e coordenadora do Comitê de Tumores Gastrointestinais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Maria Ignez Braghiroli, comenta que o estágio do diagnóstico depende do acesso ao sistema de saúde.
“Quem consegue fazer consultas e exames, como a colonoscopia, mais rápido tem mais chances de identificar a doença cedo”, explica. Ela destaca que renda e escolaridade influenciam na busca por atendimento, pois o preconceito com o exame é maior entre pessoas com menos recursos.
A pesquisa mostrou que o desconhecimento sobre o teste de sangue oculto nas fezes é maior entre homens (76%), jovens de 16 a 24 anos (85%) e quem tem só ensino fundamental (72%).
Maria Ignez explica que o exame detecta pequenas quantidades de sangue invisíveis a olho nu. Um resultado positivo não significa câncer, mas pode indicar a necessidade de uma colonoscopia para investigação.
“O teste de sangue oculto ajuda a escolher quem deve fazer a colonoscopia, que é o exame que pode prevenir o câncer ao retirar pólipos antes que virem tumores”, detalha.
Entre os testes, o FIT (teste imunológico fecal) é mais preciso porque detecta sangue humano e não é afetado pela alimentação, ao contrário de outros testes que exigem restrições antes da coleta.
O Ministério da Saúde anunciou que o SUS começará a usar o teste imunoquímico fecal para rastreamento do câncer colorretal a partir do segundo semestre de 2026.
A recomendação do SUS é fazer o exame de sangue oculto nas fezes a partir dos 50 anos, enquanto outras diretrizes sugerem iniciar aos 45 anos devido ao aumento dos casos em pessoas mais jovens.
Além do rastreamento, é importante prevenir a doença com hábitos saudáveis.
Medidas que ajudam a diminuir o risco incluem alimentação balanceada, reduzir alimentos ultraprocessados e embutidos, praticar exercícios, evitar fumar e limitar o consumo de álcool.
