FOLHAPRESS
A bolsa de valores do Brasil terminou o dia com alta de 1,59%, alcançando 185.424 pontos. Investidores estão atentos às conversas sobre a guerra no Irã e esperam uma possível trégua no conflito.
O aumento ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou avanços nas negociações com o Irã. Porém, o governo iraniano negou ter aceitado a proposta feita pelos EUA.
No auge do pregão, a bolsa chegou a subir 2,13%, alcançando 186.401 pontos, acompanhando a tendência de outras bolsas internacionais. Em Wall Street, os principais índices — S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — tiveram altas de até 0,77%.
O real também se valorizou frente ao dólar, que fechou em queda de 0,66%, sendo cotado a R$ 5,219. Durante o dia, chegou a R$ 5,204, queda de 0,95%.
Na terça-feira (24), Trump afirmou que o Irã estaria disposto a fazer uma concessão importante para fechar um acordo de paz. Segundo ele, o país ofereceu um presente valioso e significativo, que promete contribuir para o entendimento entre as nações.
Autoridades americanas informaram que enviaram ao Irã um plano com 15 pontos para encerrar o conflito. Reportagens apontam que a proposta inclui o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos aliados como o Hezbollah e a reabertura do estreito de Hormuz.
Entretanto, nesta quarta-feira, o Irã rejeitou a proposta e assegurou que não há negociações em andamento. O porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que não há perspectiva de trégua.
Os investidores mantêm a esperança de que o conflito será resolvido, especialmente pela possível retomada do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o preço do barril de petróleo Brent diminuiu 6,76% e permaneceu estável abaixo dos 100 dólares durante o pregão.
Segundo a Ágora Investimentos, conversas sobre um possível cessar-fogo impulsionaram os mercados financeiros, embora os riscos de inflação e juros elevados permaneçam até que o conflito termine.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca que a expectativa de uma trégua melhora o ânimo dos investidores e pode reduzir a aversão ao risco, beneficiando países emergentes.
O J.P. Morgan considera o cenário brasileiro positivo, mesmo diante da instabilidade global, apontando a América Latina como um porto seguro e destacando o Brasil entre os mercados com melhor desempenho no ano e no mês.
Na segunda-feira (23), Trump afirmou em uma rede social que os EUA e o Irã tiveram conversas produtivas para resolver o conflito no Oriente Médio, e adiou ataques contra instalações iranianas por cinco dias. Naquele dia, o dólar caiu 1,31%, enquanto a bolsa subiu 3,24%.
Na terça-feira, o conflito voltou a se intensificar com ataques de Israel a instalações de gás iranianas e represálias de mísseis do Irã contra Tel Aviv. O dólar encerrou em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,254.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comenta que a possibilidade de cessar-fogo aumentou o interesse por risco, porém informações contraditórias mantêm o mercado em alerta.
No âmbito político brasileiro, investidores acompanham a evolução das intenções de voto. Pesquisa revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera numericamente um possível segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que permanece na frente em cenários de primeiro turno.
O senador aparece com entre 36% e 42% das intenções de voto, enquanto Lula soma 46%. Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 47,6% e Lula 46,6%, considerando margem de erro de 1 ponto percentual.

