FOLHAPRESS
A Bolsa de Valores teve um aumento de 1,16% e fechou em 174.197 pontos nesta terça-feira (2). Esse crescimento foi impulsionado pela notícia de que o Irã está considerando uma proposta de acordo com os Estados Unidos para encerrar um conflito que já dura mais de três meses.
Outra notícia importante para o mercado foi o anúncio do governo de Donald Trump sobre a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, alegando práticas comerciais injustas por parte do Brasil.
Enquanto isso, o dólar encerrou o dia em queda de 0,22%, cotado a R$ 5,009.
Segundo a agência iraniana Mehr, o Irã está avaliando cuidadosamente a proposta dos EUA, adotando uma postura rígida devido à falta de confiança baseada em experiências anteriores.
Donald Trump afirmou que as negociações estão em progresso e que um acordo para estender um cessar-fogo e reabrir o estreito de Hormuz, importante rota marítima para o petróleo mundial, pode ocorrer já na próxima semana.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, comentou que o Irã concordou em discutir partes do seu programa nuclear, embora isso não garanta o fim do conflito.
O mercado está otimista, mas cauteloso, diante dessas notícias, com investidores esperando uma normalização das rotas de transporte e da cadeia global de suprimentos. Isso porque o conflito tem causado aumento nos preços das commodities e temores de inflação global, o que afeta as taxas de juros em países como os Estados Unidos.
Quando as taxas de juros americanas estão altas, investidores preferem renda fixa nos EUA, considerada segura. A expectativa de cessar-fogo faz com que eles voltem a investir em mercados emergentes, que têm mais risco.
Sobre as tarifas dos EUA, a investigação faz parte da Seção 301 da Lei de Comércio, com consulta pública prevista até 15 de julho para que o setor privado dê sua opinião antes da decisão final.
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), liderado pelo embaixador Jamieson Greer, afirmou que está buscando resolver essas preocupações comerciais por meio de negociações intensas com o Brasil.
De acordo com especialistas, essa tarifa proposta pode não impactar significativamente os preços de certos ativos no Brasil, pois vários produtos importantes da balança comercial foram excluídos da lista de tarifas, como carnes, frutas tropicais e componentes aeronáuticos.
O Ministério da Indústria e Comércio estima que a medida poderá afetar 21% das exportações brasileiras para os EUA. A XP avalia que aproximadamente US$ 9,5 bilhões em vendas, cerca de 25% do total para os EUA, poderiam sofrer aumento nas tarifas.
O economista-chefe Bruno Perri, da Forum Investimentos, acredita que o maior efeito pode ser o aumento da percepção de risco em relação ao Brasil, com possíveis retaliações, piora nas relações diplomáticas, incertezas regulatórias e riscos para a economia.

