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quarta-feira, 29/04/2026

Alta dos preços dos alimentos pressiona inflação em abril

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Em Brasília

LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

Os preços dos alimentos e bebidas no Brasil cresceram 1,46% em abril, um aumento maior que o registrado em março, que foi de 0,88%. Esses dados foram divulgados pelo IBGE através do IPCA-15, que é uma medida que mostra a variação dos preços ao consumidor. Essa alta é a maior para o mês de abril nos últimos quatro anos.

Alimentos e bebidas tiveram o maior impacto na inflação do mês, contribuindo com 0,31 ponto percentual para a alta do índice geral, que subiu 0,89%. O segundo grupo que mais influenciou o resultado foi o de transportes, que aumentou 1,34%, afetado principalmente pelo crescimento nos preços do óleo diesel.

Uma das causas do aumento dos preços dos alimentos é a menor oferta de produtos nesta época do ano, um fenômeno comum que ocorre todo ano. Além disso, o custo maior do transporte, principalmente pelo aumento do preço do diesel, também elevou os valores. O diesel subiu 16% no IPCA-15 de abril, devido ao aumento internacional no preço do petróleo após o conflito no Irã.

Alguns alimentos tiveram altas expressivas: cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%). André Braz, economista do FGV Ibre, explica que o aumento nos preços dos alimentos naturais também está relacionado ao efeito do preço do petróleo e à sazonalidade, já que certas épocas do ano prejudicam a produção, por exemplo, com menor pastagem para os animais, obrigando os pecuaristas a usar rações mais caras.

Os preços da alimentação fora de casa, como em restaurantes e bares, também subiram, passando de 0,35% em março para 0,7% em abril. Esses aumentos impactam o índice geral dentro do grupo de alimentação e bebidas.

Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, ressalta que os preços são influenciados por vários fatores, mas o principal agora é a menor oferta de alimentos por causa da época do ano, que costuma causar elevação nos preços em abril.

Os preços dos alimentos são um dos principais fatores que influenciam a decisão dos eleitores, motivo pelo qual o governo do presidente Lula (PT) está atento à pressão gerada pelo conflito no Oriente Médio, tendo adotado medidas para conter a alta dos combustíveis.

O IPCA-15 é divulgado antes do índice oficial IPCA e serve de indicação para a política de juros do Banco Central. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, e espera-se um corte pequeno de 0,25 ponto percentual, reduzindo para 14,5%.

Rodolpho Sartori avalia que o IPCA-15 não deve influenciar mudanças bruscas na política de juros, trazendo mais tranquilidade aos analistas que esperavam oscilações maiores. Existe espaço para uma redução gradual da Selic, iniciada em março, mas os recentes eventos internacionais e a variação nos preços impactam esse cenário.

A taxa de juros é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação, e o ciclo de redução da Selic começou após sinais de que os preços estavam se estabilizando, embora a situação internacional tenha instalado incertezas.

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