A reação do governador Romeu Zema (Novo) às cobranças de dinheiro feitas por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gerou uma crise entre o partido Novo e o Partido Liberal (PL). Essa situação ameaça alianças políticas entre os partidos de direita nas próximas eleições.
Nas redes sociais, Romeu Zema chamou os pedidos de Flávio Bolsonaro para financiar o filme sobre a vida de Bolsonaro, denominado Dark Horse, de até R$ 61 milhões, de “um tapa na cara dos brasileiros de bem” e afirmou que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”.
Integrantes do PL, especialmente próximos a ex-presidente Jair Bolsonaro, defendem vetar alianças com o Novo nas eleições para governos estaduais e Senado como retaliação às declarações de Zema. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro chamou Zema de “vil” por lançar acusações sem fundamentos contra o senador Flávio Bolsonaro. Já o líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), classificou as declarações como oportunistas.
Também foi revelado que o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, doou R$ 1 milhão ao partido de Romeu Zema em 2022 e foi preso recentemente pela Polícia Federal na operação que investiga o caso Master.
Apesar do conflito, o PL mantém cautela para não decretar rompimentos públicos e espera um pedido de retratação tanto de Romeu Zema quanto do deputado federal e ex-ministro Ricardo Salles (Novo-SP), que tem tido atritos com os filhos de Jair Bolsonaro.
Alianças no Sul
- Em Santa Catarina, o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), deve ser vice na chapa de Jorginho Mello (PL);
- No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) se apoiam para Senado e ambos apoiam Sérgio Moro (PL) ao governo;
- No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) devem disputar juntos a eleição ao Senado, apoiando Zucco (PL) ao governo estadual.
Impactos para o Novo
Dentro do partido Novo, há preocupação com os efeitos das declarações de Romeu Zema. Alguns parlamentares temem que o vídeo público prejudique não só a imagem do partido, mas também a do próprio governador. Embora ainda não haja divisão oficial entre os membros, esse cenário já é considerado uma possibilidade real.
Alguns acreditam que a ação foi uma estratégia mal calculada para se aproveitar da popularidade de Flávio Bolsonaro, sem considerar as consequências negativas. Debates internos também abordam a possibilidade de Romeu Zema integrar um ministério no governo de Flávio Bolsonaro. Contudo, o Novo não deseja abrir mão da candidatura própria à Presidência, devido às cláusulas partidárias vigentes.
Após as declarações, os diretórios do Novo no Paraná e Santa Catarina criticaram as falas do governador, chamando-as de precipitadas.
