Um policial penal da Penitenciária da Colmeia teve um prejuízo de cerca de R$ 200 mil após ser vítima de um golpe aplicado pelo advogado Guilherme Aguiar Alves, seu primo de primeiro grau. O advogado é investigado por utilizar a proximidade com amigos, familiares e colegas para atrair vítimas com promessas de ganhos financeiros rápidos e altos.
O caso faz parte de um esquema que levou dezenas de pessoas a procurarem a polícia para denunciar o advogado. Boletins de ocorrência foram registrados nas delegacias do Gama, Distrito Federal, e algumas ações correm na esfera cível. Ao menos 30 vítimas relatam perdas que somam mais de R$ 3 milhões.
Funcionamento do esquema
- O advogado afirmava precisar de dinheiro para fechar contratos jurídicos milionários relacionados a escritórios de advocacia em São Paulo;
- Também dizia necessitar de recursos para aquisição de sistemas processuais e execução de demandas judiciais;
- Em troca do investimento, prometia lucros elevados em poucos meses, chegando a dobrar o valor investido;
- Para convencer as vítimas, apresentava contratos, confissões de dívida e promessas formais de pagamento;
- Algumas vítimas chegaram a receber pagamentos iniciais, o que aumentava a confiança e incentivava novos aportes;
- Quando os pagamentos atrasavam, ele apresentava justificativas como problemas de saúde, acidentes ou dificuldades financeiras.
Caso do enterro falso
Em outubro de 2025, um advogado de 34 anos transferiu R$ 50 mil para o investimento baseado na parceria supostamente mantida pelo investigado com um escritório em São Paulo. Guilherme Aguiar Alves prometia transformar esse valor em R$ 220 mil.
Após a transferência, o suspeito acompanhou a vítima até São Paulo, alegando uma reunião com os sócios do escritório. Contudo, o encontro jamais ocorreu. Informou que o escritório estava vazio porque um dos sócios havia falecido e que todos participavam de um enterro. A vítima retornou a Brasília sem qualquer contato com a empresa.
Os pagamentos começaram a atrasar, e o advogado justificou que eles seriam feitos juntamente com a entrega de um iPhone usado nas operações. Posteriormente, disse que houve erro na compra do aparelho e que um contador faria as transferências. A vítima recebeu cerca de R$ 14 mil e teve prejuízo estimado em R$ 35,2 mil.
Carro oferecido como garantia
Uma moradora do Distrito Federal, de 36 anos, contou ter investido R$ 80 mil em um negócio relacionado à compra de um sistema de processos judiciais, com promessa de retorno de 100%, chegando a cerca de R$ 160 mil.
Durante meses, ela recebeu seis pagamentos que somaram aproximadamente R$ 106 mil, o que aumentou sua confiança. Em novembro de 2025, os pagamentos cessaram. O advogado alegou falta de recursos e prometeu regularizar a situação.
Para garantir a dívida, entregou um Renault Captur à vítima. Posteriormente, ela descobriu que o veículo estava autorizado para venda a outra pessoa e possuía rastreador instalado. O marido da vítima também entrou na negociação, transferindo R$ 30 mil com promessa de retorno de R$ 60 mil em dois meses, valor que não foi totalmente pago.
