São Paulo, 14 – O dólar terminou o dia desta quinta-feira em queda de 0,45%, fechando a R$ 4,9863, demonstrando uma correção depois do impacto do chamado ‘Flávio Day 2.0’. A moeda americana reverteu parte da valorização recente, que havia sido motivada por incertezas políticas, com a possibilidade de uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que indicaria a continuidade das políticas econômicas atuais.
Na quarta-feira, o dólar subiu 2,31% diante do real, reflexo de lucros realizados após ganhos significativos acumulados neste ano. A expectativa era de que a eleição presidencial só influenciaria o mercado a partir do segundo semestre, confortando apostas na valorização do real devido ao aumento do preço do petróleo e juros mais altos no Brasil.
Apesar de uma breve alta no início do pregão, a moeda americana caiu durante o restante do dia. O indicador DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, subiu quase 0,40%, impulsionado pela reunião entre os presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, que gerou otimismo sobre as relações comerciais e a estabilidade no Estreito de Ormuz.
Segundo Otávio Oliveira, gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, o mercado teve uma correção natural após a alta exagerada de quarta-feira, atribuída ao episódio chamado de ‘Flávio Day 2.0’. Para ele, a valorização recente do real está mais ligada à fraqueza do dólar internacional do que a melhorias internas.
O episódio do ‘Flávio Day 2.0’ surgiu após reportagem revelar contatos entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao banco Master, solicitando recursos para um filme biográfico. Essa situação afetou negativamente os ativos brasileiros, fazendo o dólar subir mais de 2% naquele dia.
Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, indica que a notícia influencia o mercado, porém o governo busca reduzir impactos econômicos com medidas para conter a alta dos combustíveis. Ele também destaca que embora Flávio Bolsonaro seja um candidato controverso com rejeição significativa, o mercado ainda vê com bons olhos a possibilidade de alternativas à reeleição do presidente Lula.
Mercado de ações
O índice Ibovespa teve alta moderada de 0,72%, recuperando-se após três semanas em baixa, influenciado por ações preferidas do investidor estrangeiro. No entanto, o mercado segue atento às incertezas políticas e às tensões globais.
Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, comenta que o cenário mundial está equilibrado entre otimismo em negociações comerciais e preocupações com conflitos internacionais. Já os dados econômicos americanos, como vendas no varejo, mostram uma economia forte e sustentam a expectativa de política monetária rigorosa do Federal Reserve.
Mercado de juros
Após a alta dos juros futuros na quarta-feira causada pelo ‘Flávio Day 2.0’, os mercados de renda fixa mostraram acomodação com uma leve queda nas taxas, apoiadas por maior estabilidade no mercado internacional e preços de petróleo ainda elevados.
Gean Lima, gestor da Connex Capital, explica que o comportamento dos juros reflete o risco eleitoral, podendo variar de acordo com o desempenho dos candidatos de direita na eleição presidencial. Ele acredita que a percepção do mercado está mudando agora que a eleição se aproxima.
Na esfera internacional, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping facilitou entendimentos sobre a questão nuclear iraniana e o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o que influencia positivamente as condições globais para os mercados.
Estadão Conteúdo
