Três suspeitos da 6ª etapa da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, ainda não foram encontrados e são considerados foragidos. São eles: o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e os especialistas em tecnologia David Henrique Alves e Victor Lima Sedlmaier.
Essa fase da operação revelou uma rede de espionagem, intimidação e ataques cibernéticos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Sobre os foragidos
- Sebastião Monteiro Júnior era uma peça fundamental no núcleo coercitivo chamado “A Turma”. Ele usava métodos para apagar rastros, como terminais telefônicos internacionais e aplicativos que excluem mensagens automaticamente. Participava de reuniões secretas com líderes da quadrilha e agia como elo policial do grupo.
- David Henrique Alves era o líder do núcleo hacker “Os Meninos”. Recebia ordens diretas para realizar ataques virtuais e derrubar perfis críticos ao grupo, recebendo até R$ 35 mil mensais. Foi flagrado tentando fugir com equipamentos essenciais para esconder provas.
- Victor Lima Sedlmaier era o braço direito de David e ajudava em tarefas tecnológicas e logísticas. Após a fuga de David, tentou esvaziar a casa do líder para retirar equipamentos que poderiam incriminar o grupo.
Entre os presos está o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel, alvo de um dos mandados de prisão. A operação teve aval da Procuradoria-Geral da República e autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
A PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de bloqueio de bens, afastamento de funções públicas e sequestro patrimonial.
As investigações apontam crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, ameaça, invasão de sistemas e violação de sigilo. Segundo a PF, o esquema movimentou bilhões com operações fraudulentas envolvendo o Banco Master.
Milícia privada
Um dos destaques das decisões judiciais é a existência de uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação, chamada de “milícia privada”. O grupo “A Turma” vigiava jornalistas, autoridades, ex-funcionários e adversários empresariais, conforme descrito pela PF.
Essa estrutura era comandada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, preso em fase anterior da investigação e que morreu na prisão.
Os investigadores dizem que Mourão coordenava ações de monitoramento, obtenção de informações sigilosas e intimidação.
Consultas ilegais
O grupo realizava consultas indevidas em sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e órgãos internacionais, como FBI e Interpol, usando credenciais de terceiros para acessar informações sigilosas.
Em mensagens, Mourão informava que o grupo fazia perguntas sobre pagamentos mensais, recebendo recursos enviados por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel e operador financeiro da organização.
Zettel fazia a ligação entre o núcleo econômico e os responsáveis por ações clandestinas de monitoramento e coerção, além de organizar contratos falsos para movimentar dinheiro e ocultar sua origem.
Outro integrante importante é o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que usava sua experiência para obter informações e acompanhar alvos.
As mensagens mostram um ambiente de vigilância constante e linguagem agressiva. Por exemplo, Daniel Vorcaro chegou a dizer que queria agredir um jornalista que publicava reportagens negativas contra o banco.
Organização criminosa
A Polícia Federal aponta que o grupo tinha divisão clara de funções: um núcleo financeiro para operações bancárias; outro para corrupção institucional envolvendo agentes públicos; um para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; e o braço de intimidação conhecido como “A Turma”.
Integrantes principais de “A Turma”
- Daniel Vorcaro – líder do grupo, responsável pelas ordens estratégicas.
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (“Sicário”) – coordenador operacional que comandava vigilância e intimidação, preso e morto na prisão.
- Fabiano Zettel – operador financeiro, responsável por pagamentos e contratos simulados.
- Marilson Roseno da Silva – operador do núcleo de inteligência, usando contatos da carreira policial.
- Henrique Moura Vorcaro – pai de Daniel, suspeito de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
