No primeiro dia de reuniões dos ministros das Relações Exteriores dos países do Brics, realizadas na Índia, houve um confronto entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. O motivo da discórdia foi a guerra no Oriente Médio, segundo o relato do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, dado ao Metrópoles.
Através da Embaixada do Irã no Brasil, Araghchi disse que o representante dos Emirados Árabes, o vice-ministro das Relações Exteriores Khalifa Shaheen Al Marar, só abordou a guerra e as respostas do Irã aos Estados Unidos durante a reunião.
O Irã não queria discutir o tema para manter a unidade do Brics, mas acabou tendo que explicar sua posição para os outros países do bloco. Araghchi lamentou o ocorrido e ressaltou que os Emirados ficaram ao lado dos Estados Unidos e de Israel no conflito.
Durante a conversa, o chanceler iraniano aconselhou os Emirados a não dependerem dos Estados Unidos e de Israel para a segurança regional.
Contexto do conflito
- O Irã tem atacado países próximos, especialmente no Golfo Pérsico, como retaliação à guerra com os EUA e Israel.
- Os Emirados Árabes Unidos foram bastante atingidos, com mais de 2.800 mísseis e drones lançados desde o final de fevereiro.
- Enquanto o Irã diz que os alvos são instalações militares americanas, os Emirados afirmam que também foram atingidas infraestruturas civis.
- Os Emirados reclamam que o Irã violou sua soberania e o direito internacional.
- A tensão aumentou após uma suposta visita secreta do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Emirados, negada pelo governo local, mas vista pelo Irã como uma aliança com EUA e Israel.
Posição do Irã
Kazem Gharibabadi, vice-ministro iraniano para Assuntos Jurídicos e Internacionais, explicou que os Emirados desempenharam um papel importante nos ataques americanos contra o Irã, pois abrigam forças militares dos EUA.
Gharibabadi disse que antes do conflito o Irã já alertava os países vizinhos para não apoiarem os agressores, e reforçou que as ações iranianas foram em defesa do país e do seu povo, sem intenção de atacar vizinhos.
“A ação realizada pelo Irã foi meramente a defesa de seu país e de seu povo. Não temos nenhuma guerra com nossos vizinhos. Antes da ocorrência da agressão, contatamos os países da região e pedimos que não fornecessem qualquer tipo de apoio armamentista ou logístico aos agressores”, afirmou Gharibabadi.
A reportagem tentou contato com a embaixada dos Emirados Árabes Unidos no Brasil para comentar as acusações, mas não obteve resposta até o momento.
