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quarta-feira, 24/06/2026

UE aposta no Brasil e incentiva processamento local de minerais estratégicos

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MARTA NOGUEIRA
FOLHAPRESS

A União Europeia está buscando diversificar suas fontes de minerais estratégicos e vê o Brasil como um parceiro importante nesse processo, segundo o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela. Ele afirmou à Reuters que a proposta da UE é mais vantajosa em comparação com outras na disputa por matérias-primas brasileiras.

No sábado (20), Síkela visitou o centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG), que é um dos quatro projetos prioritários para fortalecer a cooperação entre a UE e o Brasil.

O comissário destacou que a Europa aposta na sustentabilidade e no incentivo ao refino local dessas terras raras, alinhando-se à política do Brasil de produzir e exportar minerais já processados, agregando valor e tecnologia a essa cadeia produtiva emergente. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais estratégicos.

“É fundamental que o Brasil avance além de negócios com baixo retorno, criando assim mais valor internamente”, explicou Síkela, ressaltando que o país é atualmente o parceiro mais estratégico da UE na América Latina e uma economia em crescimento.

Ele ressaltou que a UE pode suprir suas necessidades por meio de acordos de compra, enquanto o Brasil ganha capacidade própria de refino e tecnologia, impulsionando sua posição na cadeia produtiva com maior rentabilidade.

A Viridis iniciou um projeto piloto em maio com capacidade para processar 100 kg de minério por hora e produzir até 2,92 kg por ano de carbonato misto de terras raras (MREC), um pó branco composto por uma mistura desses elementos ainda não separados.

O plano da Viridis inclui investir US$ 360 milhões para construir uma planta comercial com capacidade de produzir 15 mil toneladas de MREC anualmente a partir de 2028. O projeto Colossus da mineradora ocupa uma área de 228,62 km² em Minas Gerais.

Síkela elogiou o projeto pela geração de empregos, parcerias, novas tecnologias, educação e transferência de conhecimento, todos baseados nos mais altos padrões ambientais, sociais e técnicos.

ACORDO EM ANDAMENTO

O comissário também mencionou a carta de intenções recente entre a Viridis e a empresa química belga Solvay, para fornecimento de MREC, que pode evoluir para uma parceria técnica para o processamento.

Segundo Rafael Moreno, presidente da Viridis, as negociações com a UE para apoio financeiro e proteção de preços estão avançadas, podendo um acordo ser fechado até o fim de julho. O suporte europeu pretende reduzir riscos e garantir competitividade ao projeto.

Síkela enfatizou que seu papel é oferecer apoio político e mitigar riscos, sem substituir o capital privado, atuando para atrair investimentos privados.

Esse avanço ocorre no contexto de uma disputa global por terras raras e minerais estratégicos, com governos europeus e americanos buscando diminuir a dependência da China, maior produtora mundial desses materiais essenciais para veículos elétricos e defesa.

DIVISÃO DE SUPRIMENTOS NO OCIDENTE

Ao comentar a estratégia da UE, Síkela explicou que o objetivo não é apenas lidar com a China, mas reduzir dependências na cadeia global de suprimentos após crises recentes como a pandemia e conflitos militares.

Além das terras raras, o comissário mencionou que outros minerais como níquel e lítio, explorados no Brasil, são prioridades, com negociações em andamento para avançar em um memorando de entendimento entre UE e Brasil.

Questionado sobre a possível chegada tardia da UE na competição por ativos brasileiros, Síkela respondeu que a oferta europeia é mais benéfica por priorizar sustentabilidade, geração de empregos e educação.

Ele ressaltou a importância do Brasil como um ator ambiental global, com a Amazônia e seus recursos naturais, lembrando que ações corretas do país podem ter impacto positivo mundial.

O presidente da Viridis, Rafael Moreno, afirmou que a empresa segue a linha das orientações europeias, buscando um mercado diversificado para a cadeia de terras raras, sem envolvimento com compradores chineses, focando em uma abordagem ocidental.

Ao final do mês passado, Moreno mencionou negociações avançadas com compradores na Europa e nos EUA, reforçando o alinhamento com mercados ocidentais.

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