Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Brasil

PF acusa Digimais de inflar valor de ativos como Master

A Polícia Federal (PF) acusa o Banco Digimais de ter usado uma estratégia semelhante à do Banco Master, que consistia em estimar valores excessivamente altos para seus ativos, aproveitando-se da confiança dos clientes no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A direção do banco teria emitido títulos com rentabilidade muito acima do mercado para mascarar a situação real.

As investigações mostram que a tentativa atual é vender o controle do Banco Digimais ao Banco BTG Pactual, mas essa operação depende de um aporte financeiro de cerca de R$ 7 bilhões do FGC para cobrir um déficit do banco. Para a PF, isso indica que o Fundo assumiria grande parte do prejuízo, transferindo o risco e o ônus financeiro dos gestores do banco para o sistema de proteção.

Assim, a gestão do banco estaria preservando seu patrimônio pessoal, enquanto o prejuízo seria repassado para o FGC, contrariando a finalidade da instituição garantidora. A PF alerta que essa prática permite que responsáveis por insolvência deixem o banco sem arcar com as perdas, ameaçando a confiança no sistema financeiro.

Histórico do Banco e a Liquidação do Master

Originalmente fundado em 1981 em Porto Alegre como Banco Renner, o banco focava em empréstimos consignados e financiamento de veículos. Em 2009, o grupo Record adquiriu parte das ações, e em 2013, Edir Macedo e Ester Bezerra passaram a controlar quase metade do banco, assumindo a totalidade em 2020 e renomeando para Banco Digimais.

Publicidade

O banco enfrentou dificuldades financeiras crescentes após a liquidação do Banco Master, com exposição significativa a créditos questionados do Master. Tentativas de compra frustradas e operações financeiras controversas agravaram a situação.

Denúncia do Banco Central

O Banco Central identificou irregularidades graves na contabilidade do Digimais, indicando manipulações feitas por diretores, incluindo Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero, em conluio com a controladora do banco, B.A. Empreendimentos e Participações.

Essas irregularidades envolveram a supervalorização de direitos creditórios adquiridos em fundos de investimento, que foram registrados com valores muito maiores do que o custo real, somando bilhões de reais. O Banco Central ordenou a correção desses valores, mas o banco realizou operações para manter artificialmente essa valorização em seus balanços.

Essa prática violou normas de limite de exposição de crédito e configurou, segundo o Banco Central, uma forma de financiamento ilegal da controladora pelo banco, com remuneração diferenciada e atraso nos pagamentos, caracterizando possível crime financeiro.

A investigação conclui que essas ações têm o objetivo de mascarar a real situação financeira do banco, enganando investidores, autoridades e o mercado, configurando crimes previstos na lei de crimes contra o sistema financeiro.

O caso continua sob investigação pelas autoridades competentes, que buscam responsabilizar os envolvidos e proteger os interesses dos clientes e do sistema financeiro.

Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.