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sábado, 13/06/2026

Top influenciadores financeiros certificados são revelados

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TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Criadores de conteúdo com formação técnica estão ganhando destaque nas decisões de investimento dos brasileiros. A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) lançou o primeiro ranking dos chamados “finfluencers” com certificação oficial.

A 10ª edição do estudo Finfluence, feita em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados), mostra os dez maiores influenciadores certificados pela Anbima e os dez principais com o certificado CFP (Certified Financial Planner), concedido pela Planejar, referência internacional e no Brasil.

Também há uma classificação geral de influenciadores, sem exigir certificação, onde apenas um possui credenciais oficiais.

No ranking geral, os mais populares são Bruno Perini, dono do site Você Mais Rico, Charles Mendlowicz, conhecido como “Economista Sincero”, e Ricardo Amorim, ex-apresentador do Manhattan Connection na GloboNews.

Entre os certificados pela Anbima, lideram os sócios da Suno, Tiago Reis e Felipe Tadewald, seguidos por Roberto Guedes, criador do curso Viver de Rendimentos.

No ranking da Planejar, o primeiro lugar é do Renato Breia, sócio-fundador da Nord Investimentos, seguido pelos gestores de patrimônio Ramiro Gomes Ferreira e Daniel Carraretto.

Foram avaliados 904 influenciadores com base em dados quantitativos e qualitativos de seus perfis no Instagram, Facebook, YouTube e X (antigo Twitter).

Foram considerados fatores como popularidade (número médio de seguidores), engajamento, frequência de postagens, domínio sobre os temas, e capacidade de se conectar com o mercado, o público e outros influenciadores.

Na avaliação qualitativa, levou-se em conta a reputação e a aderência a práticas corretas, como respeito às normas de divulgação de produtos, evitando promessas falsas, discursos de ódio e vínculos com jogos de azar. Três influenciadores foram excluídos por comentários misóginos entre julho e dezembro de 2025, segundo a Anbima.

A iniciativa busca dar mais visibilidade a profissionais capacitados e oferecer transparência sobre quem produz conteúdo financeiro, mesmo reconhecendo que a certificação não garante totalmente qualidade e ética.

Esse ranking surge em um momento em que o jeito dos brasileiros se informarem sobre investimentos está mudando. Conforme a Anbima, o YouTube é o canal favorito de 35% dos investidores, seguido por Instagram (27%), TV (21%), buscadores (20%) e sites (15%).

Os finfluencers deixaram de ser uma influência pequena para se tornarem importantes na escolha de carteiras de investimento, embora preocupações sobre conflitos de interesse, publicidade enganosa e promessas de ganhos rápidos também tenham crescido.

Amanda Brum, executiva da Anbima, diz que o objetivo é aumentar a transparência para quem quer seguir influenciadores com qualificação formal.

A lista também aparece em meio ao debate sobre a regulação das redes sociais. Existem projetos no Congresso buscando controlar o que é postado e quem pode publicar, como o projeto de lei 5.990/2025, que proíbe influenciadores de falar sobre temas que exigem conhecimento especializado, como finanças e saúde, sem a qualificação adequada.

Apesar da CVM ter regulado assessores de investimento, os finfluencers ainda estão fora desse controle. A CVM realizou consulta pública em 2023 e pretende avaliar regulamentos em 2026.

Isso levou alguns criadores sem certificado a buscarem a qualificação. Roberto Guedes, terceiro colocado no ranking da Anbima, fez sua certificação em 2025, depois de nove anos produzindo conteúdo.

Graduado em administração e pós-graduado em finanças, ele procurou o certificado para aumentar sua credibilidade. “O mercado é exigente e fiz a certificação também para estar regularizado, mesmo já conhecendo os produtos. Se médicos precisam de CRM para atuar, nós também precisamos das credenciais para recomendar investimentos”, afirmou.

Para Yasmin Curzi, professora da FGV Direito Rio, essa é uma autorregulação do mercado que acontece porque os processos oficiais são lentos diante da rapidez da internet. “É uma autorregulação que surge num momento em que o público está cansado da economia de criadores que às vezes age por interesse próprio e coloca seguidores em risco”, explica.

O interesse dos brasileiros por finfluencers tem também a ver com a educação financeira, que ainda está em desenvolvimento no país. Ao simplificar conceitos complexos, esses influenciadores aproximam o tema do público.

Ela Elisiane Moreira, influenciadora que ocupa o quinto lugar no ranking, destaca: “Tenho dois motivos para falar de forma simples: fui gerente de banco e sou formada em Direito. Poderia usar termos técnicos, mas prefiro falar a mesma língua do público, assim a mensagem chega onde antes não chegava”.

Renato Breia, líder do ranking da Planejar e sócio-fundador da Nord Investimentos, comenta o impacto das redes sociais no endividamento dos brasileiros. “Um influenciador pode afetar a vida de milhões de pessoas. Veja o que aconteceu com o jogo Fortune Tiger e a expansão das apostas. Trata-se de educação financeira nesse contexto, e ter credenciais é essencial para elevar o padrão de quem fala sobre dinheiro nas redes.”

Mesmo assim, conteúdos de influenciadores certificados devem ser avaliados com cuidado. Amanda Brum, da Anbima, reforça que certificações não garantem ética. Quem investe deve analisar bem antes de seguir recomendações.

“Primeiro, veja se o influenciador tem algum tipo de qualificação: se não for certificado, veja se é economista, tem pós-graduação ou é professor. Isso é fundamental. Segundo: esse influenciador está prometendo algo milagroso? Se estiver, lembre-se: promessas grandes geram desconfiança. Investimento é coisa séria, não ganhos rápidos.”

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