Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, afirmou que as demandas dos estudantes em greve na Universidade de São Paulo são legítimas. A paralisação, que busca melhorias no programa de auxílio estudantil e na alimentação, já dura mais de um mês, contando agora também com o apoio dos professores.
“É justo pedir melhorias no Crusp? Com certeza. E no bandejão também? Sem dúvida. Quem deve resolver isso é a reitoria, que administra os recursos. O governo repassa o dinheiro, e a reitoria pode distribuir o orçamento como achar melhor”, afirmou Tarcísio.
Em entrevista durante evento na zona leste no dia 27, ele disse que as universidades estaduais têm dinheiro reservado e podem gerenciar esses recursos eficientemente. Segundo ele, o orçamento da USP para este ano é de R$ 9,4 bilhões.
“Há dinheiro disponível? Sim. Isso é importante para planejamento. É justo que os estudantes busquem melhorias? Claro que sim. As universidades paulistas já têm os maiores programas de apoio do país e isso pode ser melhorado. A reitoria apresentou uma proposta”, explicou Tarcísio.
Essa posição representa uma mudança na fala do governador, que no mês anterior questionava a mobilização: “Não entendo a greve dos estudantes. Se eu fosse estudante estaria estudando o máximo possível”.
Na última segunda-feira, os docentes da USP decidiram parar as atividades para apoiar os estudantes e reivindicar aumento salarial. A assembleia foi organizada pela Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp).
Os professores pedem reajuste salarial e retomada das negociações com a reitoria, incluindo valorização do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e o fim da criminalização dos movimentos estudantis.
A USP ainda não se posicionou sobre essas paralisações e reivindicações.
Pedidos dos professores
Os professores contestam a proposta inicial do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que ofereceu reajustes de 2% e depois 3,47%, correspondentes à inflação medida pelo IPC-Fipe. A Adusp apresentou contraproposta de 7,3%, com reajuste pelo IPCA mais 3%, para recuperar perdas salariais desde 2012.
Nova assembleia será realizada no dia 1º de junho para deliberar sobre a campanha salarial.
Negociações com estudantes
A greve estudantil completou mais de um mês, com pressão para retorno às aulas. A diretoria do Instituto de Física da USP alertou para riscos de perda do semestre e cancelamento de matrícula de calouros caso a paralisação continue, o que foi contestado pelo Centro Acadêmico, que qualificou a mensagem como alarmista.
Contexto da greve
A mobilização estudantil iniciou em 14 de abril, liderada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), acompanhada por servidores que também paralisaram por melhorias salariais, mas depois encerraram a greve com avanços. Os estudantes mantêm a paralisação focando nas suas demandas.
Entre as principais reivindicações está o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, que varia atualmente de R$ 335 para quem mora em moradia estudantil até R$ 885 para auxílio integral. A reitoria propôs aumento conforme IPC-FIPE, elevando os auxílios a R$ 340 e R$ 912, respectivamente, mas os alunos consideram insuficiente e pedem reajuste para R$ 1.804, valor do salário mínimo paulista.
Além disso, criticam problemas na gestão do restaurante universitário, moradia estudantil e situação do Hospital Universitário, que teria reduzido seu quadro funcional em cerca de 30% na última década.
Proposta da reitoria e impasse
A reitoria fez três rodadas de negociação, mas, após rejeição dos estudantes, encerrou as conversas de forma unilateral, causando descontentamento e ocupação de prédio por grevistas. O reitor Aluísio Segurado afirmou que a sua proposta era a última possível.
A greve se espalhou para outras universidades estaduais, como Unesp e Unicamp. Segundo os alunos, a reitoria mantém uma postura rígida e sem diálogo, o que os levou a apresentar suas demandas ao Conselho Universitário para serem atendidas.
Estadão Conteúdo

