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Tabela de fretes limita escoamento e deve afetar exportações de grãos

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Situação ocorre em momento em que o país ainda tem grande parte de sua safra recorde da oleaginosa para o escoar

São Paulo – A tabela de fretes instituída por medida provisória para atender a pedidos de caminhoneiros, visando acabar com os bloqueios de estradas que duraram mais de dez dias no país, está afetando os negócios e o escoamento de grãos, o que deve ter impacto negativo nas exportações agrícolas do Brasil neste mês, na avaliação de representantes do agronegócio.

Com estoques relativamente baixos nos portos após a paralisação dos caminhoneiros, uma redução agora no escoamento até os terminais tende a limitar os embarques neste mês, na avaliação da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que representa produtores no segundo maior Estado agrícola do Brasil.

“Vai ter impacto nos embarques de junho, os estoques estavam baixos nos portos…”, disse à Reuters o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra.

A situação ocorre em momento em que o país – maior exportador global de soja e o segundo de milho – ainda tem grande parte de sua safra recorde da oleaginosa para o escoar, sem falar da produção de cereal, cujas exportações tendem a ganhar ritmo no segundo semestre.

Questionado se os efeitos da tabela limitariam os embarques neste mês, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou que os embarques em junho serão menores.

“Hoje entendo que as exportações em junho devem cair em relação a junho do ano passado”, disse Nassar.

Como a tabela de frete elevou os custos em mais de 100 por cento em algumas rotas, na comparação com os valores anteriores, aqueles produtores e empresas que não detêm transporte próprio estão enfrentando problemas para escoar os produtos aos portos de exportação, comentou Turra.

“A tabela de fretes ficou muito alta em relação ao preço que vinha sendo praticado anteriormente para o transporte de grãos, e ficou inviabilizado o transporte, principalmente para os contratos anteriores, que têm que usar a nova tabela”, disse ele.

O gerente da Ocepar explicou que, como a tabela prevê a remuneração do retorno do caminhão vazio, o que não era previsto anteriormente, isso quase dobra os custos.

“O que está acontecendo é que o pessoal está retendo as cargas, no caso de quem não tem caminhão próprio. As cooperativas, as grandes, a maioria tem um número pequeno para atender a demanda deles, esses estão transportando o que podem”, disse

“Os demais (que não têm caminhão) estão aguardando a revisão da tabela da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Já teve reunião ontem (de ministros com o setor), e existe uma expectativa de que seja revista a tabela”, acrescentou ele.

O jornal O Estado de S.Paulo publicou nesta quarta-feira que, sob pressão de produtores rurais, o governo vai mudar a tabela de fretes, causando revolta de caminhoneiros, que ameaçam retomar os protestos.

Turra disse que a tabela eleva os custos entre 20 a 120 por cento, dependendo da rota, em relação ao preço praticado anteriormente. No Paraná, na média, o valor subiu 37 por cento, segundo ele.

De acordo com relatório da consultoria T&F Agroeconômica, “quem tem soja no interior não está retirando, porque os fretes foram calculados com um valor e agora há que se pagar cerca de 28 por cento a mais”.

“Não tem comprador para junho e julho (tanto pela greve dos caminheiros, como também porque as posições das tradings já estão compradas para estes meses)…”, disse a consultoria.

O mercado de trigo também está sendo afetado. “No Parará o trigo está sem preço há dez dias, nem para o spot, nem para o futuro na maioria das praças, diante da incerteza sobre o frete”, afirmou a T&F.

“Os compradores também não estão retirando, porque precisam reavaliar o frete… Um grande problema muito comentado hoje no Estado (Paraná) foi o frete de retorno: imagine pagar 100 reais de ida e ter que pagar 100 reais de retorno, se o caminhão não achar frete de volta.”

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Notícias DF

Teste rápido de coronavírus: veja onde buscar atendimento no DF até junho

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Postos itinerantes atendem quem não passou pelos postos ‘drive-thru’. Esta modalidade dispensa agendamento.

Teste rápido de coronavírus; em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/ TV Integração

A testagem itinerante para o novo coronavírus ocorre em pelo menos três regiões do Distrito Federal até o dia 6 de junho (vejo endereços abaixo). A ação, que começou em 20 de maio, tem como objetivo testar quem não passou pelos postos “drive-thru”, da Secretaria de Saúde.

Diferente dos exames feitos com a pessoa ainda dentro do carro, para a modalidade itinerante não é exigido o agendamento de horário no site. Nesses postos, para ser atendido, basta fazer o cadastro na hora com a equipe de saúde.

O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Veja locais abaixo:

  • Riacho Fundo I: 1 a 3 de junho
  • Riacho Fundo II: 4 a 6 de junho
  • São Sebastião: 1 a 3 de junho
  • Paranoá: 1 a 3 de junho

Já, somente até esta sexta-feira (29), a testagem ocorre nas seguintes localidades:

  • Área Rural Capoeira de Bálsamo
  • Vila Roriz
  • Vila Paraíso
  • Estrutural
  • Mestre Darmas
  • São Sebastião
  • Itapoã

A disseminação do coronavírus e da gripe se intensificam nessa época do ano.  — Foto: Getty Images

A disseminação do coronavírus e da gripe se intensificam nessa época do ano. — Foto: Getty Images

De acordo com a Secretaria de Saúde, o resultado do teste é entregue em até 20 minutos. Além disso, a iniciativa prevê a distribuição de máscaras de tecido e kits de higiene e saúde bucal à população.

A pasta informou ainda que, até esta sexta (29), foram realizados 18.058 testes em postos itinerantes. Desse total, 901 apresentaram resultado positivo para o novo coronavírus.

Para quem apresentar sintomas de infecção também é possível procurar as unidades básicas de saúde (UBS) para atendimento e testagem. “Se houver necessidade, o profissional de saúde direciona o paciente para o atendimento médico especializado”, explica a secretaria.

Teste em drive-thru

Teste 'drive-thru' para coronavírus no DF.  — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Teste ‘drive-thru’ para coronavírus no DF. — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Os testes feitos em esquema de drive-thru (veja endereços abaixo) são realizados de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 17h. Para fazer o exame é preciso agendar no site. Segundo a Secretaria, 116.497 testes já foram realizados, sendo que 2.339 deram positivo para a Covid-19.

O drive-thru é exclusivo para pessoas sintomáticas ou que tenham histórico de contato com algum caso confirmado. Ele também pode ser feito por quem mora com idosos.

A Secretaria de Saúde alerta que a realização do exame não descarta a necessidade de procurar uma unidade básica de saúde, quando houver sintomas da doença.

O exame detecta a presença de anticorpos gerados pelo organismo para enfrentar o vírus. Eles costumam ser detectáveis com maior segurança a partir do sétimo dia da exposição.

Endereços dos pontos de testagem rápida no DF

Para moradores da Asa Norte, Asa Sul, Sudoeste, Octogonal, Cruzeiro e Noroeste:

  • Estacionamento 13 do Parque da Cidade
  • Terraço Shopping

Para moradores do Lago Sul, São Sebastião, Itapoã, Paranoá, Jardim Botânico e Jardins Mangueiral:

  • Estacionamento Estádio JK – Quadra 5 – Área Especial – Paranoá

Para moradores de Brazlândia:

  • Administração de Brazlândia

Para moradores de Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente:

  • IESB Unidade Ceilândia

Para moradores do Guará, Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Park Sul e Park Way:

  • ParkShopping
  • Administração do Guará – Guará II QE 25

Para moradores de Samambaia, Riacho Fundo I e II, Recanto das Emas:

  • Administração Regional de Samambaia
  • Centro Urbano
  • Samambaia Sul – Anexo da Administração Regional

Para moradores de Ceilândia e Taguatinga:

  • JK Shopping

Para moradores do Gama e Santa Maria:

  • Estádio Bezerrão
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Política BSB

Líder do Centrão, Arthur Lira vira o homem forte de Bolsonaro no Congresso

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Encrencado na Justiça, o deputado federal se cacifa para a sucessão de Rodrigo Maia

PODER - Lira: representante dos interesses do governo e figura central na distribuição de cargos Marcos Oliveira/Agência Senado

O deputado federal Arthur Lira (AL), líder do PP na Câmara, é um dos poucos que não se importam em ser tachados como membros do Centrão, grupo conhecido por barganhar votos em troca de cargos e outras práticas fisiológicas pouco nobres. Aos 50 anos e em seu terceiro mandato, Lira, pelo contrário, encarna com orgulho o papel de ser um dos líderes do bloco — engrenagem cada vez mais relevante para os planos de Jair Bolsonaro. Aos poucos, Major Vitor Hugo (PSL-GO), atual líder do governo na Câmara, vai virando uma figura decorativa. É Lira, na verdade, quem de fato ocupa hoje esse espaço e o crescimento de sua importância se deu na esteira do casamento entre o presidente e o Centrão. Sua biografia, para lá de enrolada, que inclui suspeita de ocultação de patrimônio, parece só um detalhe neste momento em que Bolsonaro precisa desesperadamente de uma base para se blindar contra as três dezenas de pedidos de impeachment e, ao mesmo tempo, aprovar projetos que podem ser importantes para a retomada econômica. Alçado ao posto de homem de confiança do capitão, Lira vem desempenhando esse papel com maestria.

Claro que tudo isso tem um preço. Na cada vez mais quente negociação de cargos em troca de apoio político, os principais pedidos passam hoje por Lira e Ciro Nogueira, presidente do PP e outro pilar do Centrão. Recentemente, a dupla fechou acordo para pôr no comando do cobiçado Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o ex-chefe de gabinete de Nogueira, Marcelo Lopes. A vaga, até dezembro, era ocupada por um apadrinhado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Lira também tem alinhado os deputados sob sua influência às pautas do governo nas votações mais importantes, como na tentativa de fazer passar a Medida Provisória 910, sobre regularização fundiária, apelidada de “MP da Grilagem” pelos opositores. O negócio não foi à frente e voltará à pauta na forma de projeto de lei, mas chamou a atenção dos parlamentares o fato de o deputado alagoano ter defendido com afinco a posição do Palácio do Planalto — Vitor Hugo só foi ao microfone depois, para concordar com ele. Na última terça, 26, outra prova de que há um novo chefe no tapete verde: Lira articulou a aprovação de um projeto de ajuda emergencial de 3 bilhões de reais ao setor cultural, cabendo ao líder do governo apenas elogiar a atuação do colega. “Vitor Hugo vai cumprir tabela, Lira vai jogar os clássicos e ainda ser aplaudido”, resume um líder da Casa.

Habilidoso, pragmático e conhecedor dos bastidores do Congresso, o deputado alagoano está tão cheio de moral que se movimenta para concorrer à presidência da Câmara com o apoio do governo em 2021. A cessão ao nanico Avante da diretoria do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), por exemplo, foi um dos primeiros movimentos de sua estratégia eleitoral e irritou alguns correligionários do PP. Dentro da bancada do partido, Lira antagoniza com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), o preferido de Rodrigo Maia para suceder-lhe, caso o atual presidente não possa concorrer à reeleição.

Filho do ex-senador Benedito de Lira, o novo homem forte do governo no Congresso tem a seu favor uma sólida e bem-sucedida experiência política. Ele foi eleito vereador em Maceió aos 23 anos pelo PFL, emendou dois mandatos na Câmara Municipal e três de deputado estadual, até se eleger deputado federal pela primeira vez, em 2010, pelo PP. Em 2006, quando se candidatou a deputado estadual pela terceira vez, seu patrimônio declarado ao TSE era de 695 901 reais, montante que passou a 1,7 milhão de reais em 2018. As cifras são exatamente um dos pontos que não ajudam Lira na conquista de seu objetivo de presidir a Câmara.

Em dezembro, Jullye­ne Lins, ex-mulher de Lira, acusou-o de ter um patrimônio oculto de pelo menos 40 milhões de reais — e esse foi apenas o mais recente item da vasta lista de embaraços do deputado. Na época em que integrava a cúpula da Assembleia alagoana, ele foi alvo da Operação Taturana, deflagrada em 2007 contra desvios de 280 milhões de reais na Casa por meio de cheques em nome de laranjas e empréstimos bancários fraudulentos. As apurações identificaram movimentações financeiras dele de 13,1 milhões de reais entre 2001 e 2006, incompatíveis com seu imposto de renda. Na Lava-Jato, Lira também foi citado como frequentador do escritório do notório doleiro Alberto Youssef e ainda é réu em dois processos no STF, um por corrupção passiva, acusado de receber 106 000 reais em propina, e o outro por participação no “quadrilhão do PP”. Embora não tenha sido condenado em nenhuma dessas ações, a escolha de Lira como membro da tropa de choque do governo no Congresso é a prova definitiva de que Bolsonaro já não tem tanta ojeriza àquilo que ele mesmo definiu como velha política.

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Política BSB

Mais de 500 procuradores pedem que lista tríplice seja institucionalizada

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Em carta pública, membros do MP ressaltam importância da independência para garantir direitos democráticos e fazem crítica velada ao PGR Augusto Aras

O procurador-geral da República Augusto Aras foi escolhido para o cargo por fora da lista Nelson Jr./SCO/STF.

Em meio às críticas ao alinhamento entre o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o governo Jair Bolsonaro, mais de 500 procuradores defenderam a independência do Ministério Público Federal (MPF) em uma carta divulgada na noite desta quinta-feira, 28.

Para isso, os investigadores recomendam a necessidade de incluir na Constituição a regra da lista tríplice como método para a escolha do chefe da instituição – uma clara referência à decisão de Bolsonaro de optar por um membro do MPF que não estava previamente selecionado pela corporação e que acabou alçado ao cargo de procurador-geral da República.

“É necessário fazer um debate amplo, público e aberto sobre a institucionalização, mediante inclusão no texto constitucional, da regra de que o(a) Procurador(a)-Geral da República seja escolhido pelo(a) Presidente da República com base em lista tríplice escolhida pelos membros da instituição, a exemplo do que acontece com o(a) Procurador(a)-Geral de Justiça no Distrito Federal e nos 26 (vinte e seis) estados da Federação”, diz o documento.

Os procuradores destacam ainda que a independência do MPF é essencial para garantir a ordem jurídica do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Nos bastidores, procuradores estão cada vez mais insatisfeitos com o comportamento de Aras em relação às investigações contra o governo e o presidente Bolsonaro.

 

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Política BSB

O governo Bolsonaro tem um novo aliado na briga contra o STF: os militares

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O acirramento dos ânimos entre o Executivo e o Supremo Tribunal Federal ganha um complicador importante e imprevisível

General Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI Wallace Martins/Futura Press

Na famosa reunião ministerial de 22 de abril, Jair Bolsonaro classificou de “muito boa” a nota divulgada pelo Ministério da Defesa após a participação dele numa manifestação a favor do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). O afago era compreensível, já que o texto — ao listar platitudes, como a promessa de respeito à Constituição e à harmonia entre os poderes — não trazia uma reprimenda enfática às pretensões golpistas dos apoiadores do presidente. “Não aceita o golpe. Dez”, disse Bolsonaro na reunião, para em seguida cobrar empenho dos militares na proteção de seu mandato, ameaçado por pedidos de impeachment e por uma investigação em curso no STF. “A Defesa (…) Também não aceita um contragolpe dos caras, p…!”, bradou com um palavrão, bem no seu estilo. A cobrança surtiu efeito, e os generais do governo, que antes devotavam apoio nos bastidores, agora deixam transparecer publicamente que estão fechados com o presidente.

 

General Luiz Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo Andressa Anholete/Getty Images

“Não vou aceitar que me usem para atacar minha amada instituição! (…) A guerra continua e não tem data para o armistício, e não posso abandonar minha posição.”

General Luiz Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo

Essa mudança de postura ficou clara depois que o decano do STF, o ministro Celso de Mello, encaminhou para a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) um requerimento de partidos de oposição que pedia a apreensão dos celulares do presidente e de seu filho Carlos Bolsonaro, mentor das milícias bolsonaristas nas redes sociais. A iniciativa do magistrado foi protocolar e, por isso, não indicava uma predisposição dele para aceitar tal pedido. O presidente e sua tropa palaciana, no entanto, consideraram o ato uma declaração de guerra. Reunido com os ministros Fernando Azevedo (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), todos generais, Bolsonaro afirmou que, mesmo se houvesse uma ordem judicial, não entregaria seu telefone. Heleno, então, divulgou uma nota em que tachou o pedido de apreensão do celular do chefe de “inconcebível” e “inacreditável”. O general ainda soou ameaçador: “Tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Luiz Fux, presidente em exercício do STF Nelson Jr./SCO/STF

“Esta Corte mantém-se vigilante contra qualquer forma de agressão à instituição, na medida em que ofendê-la representa notório desprezo pela democracia.”

Luiz Fux, presidente em exercício do STF

A interlocutores, Heleno reclamou do que chamou de “dois pesos e duas medidas”. Na mesma decisão em que intimou os ministros-generais a depor, se necessário, “debaixo de vara” no caso em que Sergio Moro acusa o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal (PF), Celso de Mello rejeitou um pedido de perícia no celular do ex-ministro da Justiça feito pela PGR, sob o argumento de que, para isso, era necessário antes um pedido de busca e apreensão. Dias depois, diante da solicitação de partidos de oposição sobre a apreensão dos celulares de Bolsonaro, o decano, em vez de negar de imediato, requereu a opinião da PGR. Foi o suficiente para passar a ser tratado como conspirador. A nota de Heleno não teria tanta repercussão não fosse por um detalhe: ao contrário de suas manifestações anteriores, o texto desta vez foi avalizado pelo ministro da Defesa. Em mensagem enviada à CNN Brasil, Fernando Azevedo afirmou que “a simples ilação da apreensão do celular do presidente da República, na visão dele, é absurda”. “Afronta a segurança institucional”, acrescentou.

 

Luis Barroso, ministro do STF Nelson Jr./SCO/STF

“O ataque destrutivo às instituições, a pretexto de salvá-las, depurá-las ou expurgá-las, já nos trouxe duas longas ditaduras na República. São feridas profundas da nossa história, que ninguém há de querer reabrir.”

Luís Barroso, ministro do STF

Antes da pandemia, os militares estavam divididos em relação ao comportamento de Bolsonaro. Muitos viam exageros e despautérios em suas reações. Poucos seguiam suas teorias conspiratórias. Desde o início da crise, a turma se uniu. Os generais do governo passaram a se queixar em conversas de bastidores de decisões do Congresso e do Judiciário que, segundo eles, usurpam poderes do presidente, como a liminar que impediu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF. A nota de Heleno, chancelada pela Defesa, aumenta ainda mais a pressão sobre os outros poderes. Na semana passada, ministros do STF reagiram por meio de declarações contundentes. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, adotou um tom entre conciliador e provocador. Em discurso, o deputado pregou a pacificação, mas ressaltou que o Legislativo, mesmo quando discorda, respeita as decisões da Justiça. A tensão está longe de refluir. “Não teremos outro dia como ontem, chega. Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão”, disse Bolsonaro na última quinta, 28, referindo-se à operação do Supremo contra as fake news (veja na pág. 50). Está mais do que na hora de ações maduras — de todos os personagens envolvidos — na busca da convergência, da defesa da democracia e do estado democrático de direito.

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Política BSB

Cansado, Witzel está de malas prontas para mudar…de partido

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Governador do Rio tem se sentido abandonado pela legenda do Pastor Everaldo

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Mauro Pimentel/AFP

Cansado dos problemas trazidos pelo PSC e pelo fraco apoio demonstrado pelo partido diante das investigações que abalaram seu governo nesta semana, Wilson Witzel tem se sentido abandonado.

O governador considera, mais do que nunca, deixar o partido do Pastor Everaldo. Aconselhado a sair ele já foi.

 

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Política BSB

“Ninguém está pensando em intervenção militar”, diz Augusto Heleno

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Ministro do GSI afirmou que nota sobre possível apreensão de celular de Bolsonaro foi “genérica” e não era endereçada a Celso de Mello

“Intervenção militar não resolve nada”, disse o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (Adriano Machado/Reuters)

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, afirmou nesta quinta-feira que uma intervenção militar “não resolve nada” e que no governo “ninguém está pensando nisso”. Segundo Heleno, apenas a imprensa pensa nessa possibilidade.

“Intervenção militar não resolve nada. Ninguém está pensando nisso. Não houve esse pensamento nem da parte do presidente, nem da parte de nenhum dos ministros. Isso só tem na cabeça da imprensa. A imprensa está contaminada com isso, não sei por que”, disse Heleno a jornalistas, no Palácio da Alvorada.

De acordo com o ministro, os pedidos por uma intervenção das Forças Armadas, que ocorrem em protestos a favor do governo, são isolados e fazem parte do direito de livre manifestação.

“Manifestações absolutamente irresponsáveis. Podem falar o que quiser, podem prever um regime soviético no Brasil. Não tem nada a ver. A manifestação é livre, espontânea, permitida”.

Em relação à nota que divulgou na semana passada, dizendo que uma apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro traria “consequências imprevisíveis”, Heleno disse ter feito uma nota “genérica”, sem citar o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nota foi publicada após Celso de Mello encaminhar ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido apresentado por parlamentares de oposição de apreensão do celular de Bolsonaro.

“Eu não citei o nome do ministro Celso de Mello, não citei o nome do procurador-geral. Fiz uma nota simplesmente genérica e houve uma distorção. Teve gente que colocou o nome do ministro Celso de Mello, como se eu tivesse dirigindo a nota a ele. Não dirigi a nota a ninguém”.

Para o ministro, é um “absurdo” vincular a nota a uma possível intervenção militar:

“Uma nota completamente neutra, colocando o problema em si, sem citar nomes. Não falei em Forças Armadas, não falei em intervenção militar. Teve gente que disse que aquilo ali era um preâmbulo da intervenção militar. Virou moda. Isso é um absurdo, ninguém está pensando nisso, ninguém conversa sobre isso”.

Equilíbrio entre os Poderes

Augusto Heleno defendeu um “equilíbrio” entre os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e disse que cada uma precisa ficar limitado à sua atribuição. Ele afirmou que a apreensão do celular de Bolsonaro não poderia nem ser cogitada.

“Tem que ver os dois lados. Vamos manter o equilíbrio entre os Poderes, limitar as atribuições dos respectivos Poderes, é isso que está se pleiteando. No momento que há uma manifestação, não sei de quem, de uma possibilidade de ser apreendido o celular do presidente da República, se nós ficarmos calados, eu principalmente, que sou o responsável pela segurança institucional, parece que eu estou concordando, e sou absolutamente contra isso. Não pode nem ser ventilado”.

O ministro disse que “os dois lados” precisam de “harmonia” e “respeito”.

“‘Ah, mas o presidente é um cidadão comum’. Sim, o presidente é um cidadão comum, tanto é que vários já tomaram impeachment. Mas qual a razão de apreender o celular do presidente Bolsonaro? Dê uma razão plausível disso aí? É preciso que as coisas sejam, para os dois lados, seja buscado o equilíbrio, o bom senso, a harmonia, o respeito”.

Heleno não quis comentar se Bolsonaro fez críticas ao Judiciário na reunião ministerial realizada na quarta-feira, para discutir o inquérito do STF que investiga ataque à Corte. Dizendo que a reunião foi “secreta”, o ministro fez uma crítica velada à decisão de Celso de Mello de divulgar a reunião ministerial do dia 22 de abril.

“Problema da reunião. Chega de revelar reuniões secretas, reuniões reservadas, botar isso no ventilador. Outra coisa que está errada, totalmente errada”.

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