As ruas do Distrito Federal têm se tornado locais de corridas ilegais. De janeiro a maio de 2026, os casos de rachas subiram de 114 para 147, um aumento de quase 29% em comparação com o ano anterior, segundo dados do Detran-DF. Isso significa quase um caso por dia, o que é motivo de preocupação para a segurança no trânsito.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro não utilize o termo “racha”, a prática é considerada ilegal e enquadrada nos artigos 173 e 174, que proíbem disputar corrida e organizar competições. De janeiro a maio de 2026, as ações combinadas do Detran, Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e Polícia Militar (PMDF) resultaram em 10 autuações específicas por corridas ilegais.
O que diz a lei
No mesmo período do ano anterior, o número de autuações era menor, com oito registros. Os motoristas pegos disputando corrida (artigo 173) recebem punições severas, como suspensão da carteira, recolhimento da habilitação, remoção do veículo e multa multiplicada por dez, que dobra em caso de reincidência em 12 meses.
Essas penalidades também se aplicam a quem organiza ou participa de eventos perigosos sem autorização (artigo 174). Somando todas as infrações relacionadas, o DF teve 147 autuações até maio de 2026, enquanto em 2025 foram 114 no mesmo período.
Além das multas administrativas, o racha é classificado como crime conforme o artigo 308 do CTB, com penas que variam de seis meses a três anos de detenção sem feridos, três a seis anos se houver lesão grave, ou cinco a dez anos em caso de morte.
Sensação de impunidade
Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública, a lei atual não cumpre seu papel educativo porque permite fiança e liberdade para os infratores. Ele explica que a sensação de impunidade incentiva novos rachas, pois os infratores acreditam que a punição é leve e que podem mostrar suas habilidades ou potência dos carros com pouca consequência.
Leonardo Sant’Anna destaca que a discussão sobre penas mais duras, como prisão em regime fechado e confisco de bens, ainda é prematura. O foco deve ser em punições que realmente afetem o comportamento dos infratores, incluindo aspectos financeiros e programas de reeducação para impedir que o racha se torne atrativo.
Além disso, as redes sociais têm impulsionado essa prática, transformando os rachas em espetáculos digitais no Instagram e TikTok. Leonardo Sant’Anna sugere que divulgar vídeos e aceitar desafios online deve aumentar a pena para os motoristas.
O problema não é exclusivo do DF e chegou ao Congresso Nacional. Está em tramitação o Projeto de Lei 7235/25, que cria um programa nacional para prevenir e combater corridas ilegais, visando reduzir acidentes e mortes causadas por essas manobras perigosas.
Resposta oficial
O Detran-DF informa que realiza patrulhamento e fiscalização regulares para coibir infrações no trânsito, além de promover campanhas educativas para conscientizar os motoristas a respeitar os limites de velocidade e dirigir com segurança.

